Livro recupera diálogos e ressalta amizade entre Oswaldo Lamartine e Hélio Galvão

“Responda, homem de Deus”, suplicou Oswaldo Lamartine depois de enviar o terceiro bilhete sem resposta ao velho amigo Hélio Galvão, nos idos de 1970. Na época, morando no Rio de Janeiro, Lamartine quisera saber se o silêncio do conterrâneo era falta de tempo ou ‘zanga porque fugiu do abraço do adeus’ quando aqui passou em um compromisso de trabalho. Mas aí emenda: “Pelo Correio já lhe enviei os livros prometidos (Mandioca e Knivet) e a cópia do microfilme do machado lunar em barro com a informação de Mário Melo…”

Amizade, a paixão pelas coisas do sertão e a literatura marcaram o encontro entre os dois intelectuais potiguares, um escritor, poeta e sertanólogo, o outro jurista, advogado e historiador. Uma amizade que nasceu tarde, mas foi infinitamente maior que as linhas de correspondência trocadas nos anos que se seguiram até a morte de Hélio Galvão, em outubro de 1981.

 Agora, essa proximidade epistolar pouco conhecida do leitor será mostrada no inédito “Abraços – Correspondências de Oswaldo Lamartine com Hélio Galvão”. O lançamento é dia 15 de dezembro, na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, às 16h, pelo Nação Potiguar numa ação da Fundação Hélio Galvão e Escritório Candinha Bezerra.

A seleção de Dácio Galvão permitiu uma organização do diálogo imagético – fotos, telegramas, desenhos e postais. O prefácio de Vicente Serejo é esclarecedor, como o leitor verá, para se entender a importância dessa amizade. A transcrição de Victor H. Azevedo destrincha os garranchos de alguns diálogos quase desaparecidos pela ação do tempo. E as imagens combinam ensaios de Candinha Bezerra e o raro acervo das famílias de ambos.

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