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Futebol: Fla-Flu (1975) – Djanira da Motta e Silva – Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.

Quando, contra todos os prognósticos, o ex-time ganha  por placar inquestionável, é tempo de lembrar como uma paixão pode mudar de lado.

Ninguém iria prever, que mesmo baixando num terreiro de Xerém, o espírito de John Kennedy pudesse espantar  os galáticos, do ninho do urubu.

A magia do futebol se renova, mas os torcedores já não são os mesmos.

Nos anos sessenta, já autoproclamados os melhores do mundo, acompanhar as novidades dos times não era tarefa facilitada pelos canais exclusivos, premières.

Com o predomínio dos grandes cariocas, só quem tinha um transglobe podia ouvir as resenhas e os jogos pela Tupi e Globo.  Com muito ruído,microfonia e apitos não soprados pelo filho da mãe do juiz ladrão.

Nos tempos de Waldir Amaral, Ruy Porto, Jorge Curi e João Saldanha quem decidia  Gol…. Legal! era Mário Viana (com dois enes),  árbitro aposentado e ex-oficial da polícia secreta de Vargas. Falou, estava falado.

Além das páginas dos jornais que circulavam com um ou mais dias de atraso, indispensável a Revista do Esporte. Exclusiva  do futebol e somente do Rio e São Paulo.

Capa colorida,  miolo em preto e branco. Papel jornal e impressão de poucos  pixels.

Perfis de jogadores e técnicos nos  RX de Corpo Inteiro; entrevistas, Bate Bola e até fofocas da Candinha do Esporte, faziam leitura obrigatória e objeto de empréstimos, trocas e coleções.

Na impossibilidade de  se  conseguir uma camisa oficial, soluções criativas.

Seu Edgar (da Estatística) Viana, apaixonado torcedor, tinha o único  simulacro em toda a cidade. Mandou pregar uma faixa diagonal preta numa camisa branca e com um bordado da cruz de malta, desfilava orgulhoso, pela rua grande,  nos dias de jogos do eterno vice.

A escolha do time para torcer pelo resto da vida era herança familiar. De pai para filho. Ou influência de um tio ou irmão mais velho.

Ninguém virava a casaca.

Uma vez Fluminense, sempre Fluminense.

A não ser que a sociedade do avô e os netos no Cartola FC, comece a apresentar conflitos de interesses.

Na súplica pela escalação dos novos ídolos rubro-negros Arrascaeta, Bruno Henrique e Filipe Luís  e na barração sistemática de Castilho, Pinheiro e Amoroso, alguém tem que ceder.

E quem pode resistir ao convite  do sócio de quatro anos e aos gols de Gabriel Barbosa:

Vai vovô, torça também pelo Flamengo.

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(Há 2 anos, o vovô virou a casaca, mas, sem que os netos saibam. tem horas que bate uma recaída)

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Três Orixás (1966) – Djanira – Pinacoteca de São Paulo.

 

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