B1E1D702-A947-4D9E-9F8B-14D94E762882

Daniel Adjuto, para a CNN Brasil


A médica oncologista Nise Yamaguchi processou os senadores Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Pandemia, e Otto Alencar PSD-BA).

Ela pede indenização de R$ 160 mil por danos morais a cada um dos parlamentares após depoimento no dia 1° de junho à CPI. A especialista afirma ter sido vítima de misoginia, preconceito às mulheres, e humilhação durante a oitiva. Nise Yamaguchi está entre os 14 investigados pela CPI. 

Na ação, a médica afirma que Aziz e Alencar abusaram do direito da imunidade parlamentar a que têm e “perpetraram um verdadeiro massacre moral”. Os senadores, para a defesa de Yamaguchi, agiram “intencionalmente com morbo e com deliberada crueldade no escopo de destruir a imagem da médica perante toda a sociedade brasileira”. “(Nise Yamaguchi) Atônita, viu um ser humano ter destroçada a sua dignidade enquanto médica, cientista e mulher”, defendem os advogados. 

Durante o depoimento, Nise Yamaguchi foi questionada pelos senadores sobre a existência de um gabinete paralelo ao ministério da Saúde, a mudança na bula de medicamentos e o uso comprovadamente ineficaz da cloroquina e hidroxicloroquina no tratamento da covid-19. 

Em determinado momento, o senador Otto Alencar perguntou à médica a diferença entre vírus e protozoário. “Na grade curricular brasileira, os protozoários são estudados no 4° ano do estudo fundamental, fato este que por si só, demonstra a intenção de Otto Alencar em diminuir e humilhar publicamente Nise Yamaguchi, desprestigiando seu conhecimento científico.”, aponta a defesa da médica. 

Na avaliação dos advogados, o presidente da CPI foi “cúmplice” dos ataques à médica. “Percebe-se do tom de voz e do caráter intimidatório do senador Omar Aziz que esse foi cúmplice da desintegração moral da médica, posto que nada fez para impedir ou minorar a agressiva sanha de seu colega, sendo cúmplice e corresponsável pelos abusos suportados por Nise Yamaguchi”, escreveu o advogado Raul Canal. 

Ao ouvir as explicações da médica equiparando a importância do chamado tratamento precoce à da vacinação, o senador Omar Aziz interrompeu a médica: “Quem está nos vendo não acredite nela. Tem que vacinar. A vacina salva. Tratamento precoce não salva”. 

Na ação, o depoimento da médica cita o “manterrupting”, quando a fala de uma mulher é interrompida constantemente por um homem, e é comparado à audiência judicial em que Mariana Ferrer, que teria sido vítima de estupro, é humilhada pelo advogado do acusado de cometer o crime. Os advogados pedem ainda que a Procuradoria-Geral da República avalie se os senadores cometeram o crime de  abuso de autoridade. 

Caso ganhe a ação, a médica afirma que doará o dinheiro a hospitais que atendem a crianças com câncer.

O senador Otto Alencar afirmou que seu advogado, assim que notificado, responderá de acordo com a lei que dá o direito de perguntar numa CPI. Quanto à pergunta sobre vírus e protozoário, o senador, que também é médico, disse que não a fez com o interesse de que se tornasse um meme. “Não fiz com esse interesse. Na verdade, foi para demonstrar que a medicação que trata protozoários não tem eficácia para tratar vírus. Todo o tempo que perguntei, a tratei como doutora, senhora e Vossa Senhoria. Não fui o autor dos memes nem estimulei fazê-los”. 

O senador Omar Aziz vai aguardar a notificação judicial para comentar a ação.

Comentários do Site

  1. PedroArtur
    Responder

    Concordo e faria o mesmo, a Dra e pesquisadora Nise Yamaguchi he muito competente que defende sua tese e tem que ser respeitada, esses Srs ( senadores ) querem palanque , ficam humilhando cidadoes do bem , porque eles nao humilham os colegas ( senadores ) que eh da mesma laia , covardes , imbecis e tudo que eh de ruim, e olha nao sou Bolsonarista nem muito menos petista, parabens Dra conte com meu apoio.

  2. Regina Maria Oliveira de Miranda
    Responder

    Essa CPI parcial, desrespeitosa e autoritária trata os convocados como se fossem marginais, quando falam coisas que eles não querem ouvir e de modo ameno quando falam o que querem ouvir. Uma palhaçada!

  3. Ary Maia
    Responder

    Essa Sra., teve um comportamento ridículo junto a CPI, com sorrisinhos, omissões e defesa de tratamento não recomendado pela OMS e verdadeiros cientistas! Ótimo será uma aplicação de litigancia de má-fé dessa ” cientista “, e uma quebra de sigilo telefônico e fiscal a fim de comparar os fatos relatados perante a CPI.

  4. Helena
    Responder

    Boa Dra. Bote pra lascar nesses idiotas um nem de medicina entende e outro ridículo que mentiu dizendo ser ortopedista e nem especialização tem.