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O picolé caseiro sobreviveu à intolerância do advogado e ao vírus destruidor de negócios e empregos.

Denúncia não acolhida, proibição rejeitada e a garotada continuou a identificar pelo pregão ritmado, a aproximação das gostosuras geladas.

Também esquecidos dos vários decretos restritivos às atividades durante o isolamento, os carrinhos de sorvete não deixaram de avisar  que as delícias da vida continuavam fluindo pelas ruas silenciosas.

Sem a ninguém mais incomodar.


(Publicação original em 30/07/2019)


O PICOLÉ DO PAPA

Difícil a preservação das tradições gastroculturais,  ameaçadas pela maléfica influência das comidas de shopping e fast-foods, sobre nossos jovens.

E de onde menos se poderia esperar, surgiu a mais perversa ameaça.

Um renomado causídico iniciou cruzada contra uma (e só uma), determinada marca de picolé.

Imitadores, até mais barulhentos, de qualidade gustativa e melódica inferiores não foram objetos da ação.                                       

Sabe-se até da invasão do nosso mercado por similar paraibano mas não é bom tratar deste gentílico no momento. O tema ainda está muito sensível.

Advoga, sob argumento de perturbação da ordem pública, a proibição do anúncio do xodó da criançada (façam fila!), em amplificadores de som.

Esquece o ilustre jurisconsulto que está atacando mortalmente uma empresa que por milagre sobrevive na nossa combalida economia.

Caicó resistiu a sete anos de seca, bacia leiteira dizimada, calor inclemente e absoluta falta d’água no Itans.

Foi preciso tirar leite (congelado) de pedra e só por milagre de Santana, a indústria perseverou.

Seu grande diferencial, o anúncio ritmado e melodioso não agride ouvidos sensíveis  às responsabilidades sociais.

Sem os reclames, o Picolé Caseiro de Caicó seria mais um desses kibons da vida.

Sobremesa predileta da nossa governadora é urgente que seja também elevado ao mesmo patamar dos outros tesouros culinários.

Ginga com tapioca da Redinha.                          Grude de Extremoz. Caldo de cana do Ceará Mirim. Cavaco chinês do Mereto. Pipoca Boku’s do Recife.

Patrimônios  culturais, imateriais do nosso estado.

Antes que o ilustre patrono, depois de ter perdido a causa  no Tribunal de Justiça, recorra ao Gilmar, só nos resta uma última esperança.

Apelar para o  Papa do Seridó.

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