15 de junho de 2024
CULTURACultura

DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO CINEMA NO BRASIL.

46ECF579-29DA-44EF-A825-21A93DDE63B3Todo saudosista tem seu cinema de estimação.

É tempo de lembrar e contar aos jovens que queimaram os miolos para redigir em linguagem vernacular,  escorreita e castiça, como pode ser mais democrática,  a sétima arte.

O tempo traz à memória, com sentimento de perda, até o que era motivo de bagunça, assobios e apupos.

Quando as sessões eram medidas em partes e ocorriam as inevitáveis  trocas dos rolos.

Com as luzes acessas, quanto mais rápido voltasse a projeção, melhor era considerado o cinema.

Na  ocorrência de algum engano, as latas das fitas trocadas, não tinha como continuar uma estória com a segunda parte de uma outra.

  • Quero meu dinheiro de volta.    

Reclamação recorrente e repetida não só em  cada interrupção ou demora mas em qualquer frustração à qualidade artística esperada.

Incluídas as propagandas enganosas dos cartazes da entrada.

Na tela remendada,  romance água-com-açúcar; ao lado da bilheteria, Randolph Scott assoprando o cano esfumacento do três oitão do faroeste.

Não se encontram mais salas de cinema  onde antes havia goteiras, pulgas  e morcegos de assustadores voos rasantes.

Fitas gastas, arranhadas, cheias de riscos, manchadas e quem levava a culpa era a mãe do projecionista.

Bem verdade que som surround já existia. Muito mais avançado que o modernoso quadrifônico de hoje. Integrava à trilha sonora, o barulho do trânsito e das conversas na calçada.

No imponente prédio de pé direito alto, cortinas puídas e cheiro de mofo, ingresso era de todo preço e pra todos os gostos.

Poltronas, sem estofados.

Primeira classe.

Com direito a entrada de almofadas.

Bancos, com e sem encostos, nas filas mais próximas ao écran. Segunda.

Corredor lateral reservado à platéia em bipedestação.

Descontos especiais para os retardatários que pegavam o enredo no meio da missa. E depois pediam pra algum amigo contar o começo da trama.

Que sessões continuas eram luxos encontrados somente nas telonas em cinemascope das metrópoles.

Também pr’aqueles que esperavam, do lado de fora, com certa impaciência, o The End para assistir somente o seriado.

De lotação sempre esgotada para o de Flash Gordon.

Nunca mais haverá  sala de projeção mais democrática que o Cine Éden, o Cinema Paradiso do agreste.

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