2 de maio de 2024
Meio Ambiente

FOGO DE IDEIAS

Devastação de uma floresta – Johann Moritz Rugendas (1802-1858) – Museu Imperial, Petropolis

Todo ano a Califórnia arde em incêndios florestais.  A convivência com a previsível, periódica e inevitável tragédia e a alternância do poder, livram democratas, republicanos e isentões de responsabilidades e culpas.

O mesmo não se pode dizer das discussões acaloradas, cheias de dedos indicadores, sobre as queimadas nas franjas da floresta na chamada amazônia legal.

O que acontece na costa oeste norte-americana pode muito bem já ter ocorrido ao bioma da caatinga nordestina.

Estudiosos das mudanças climáticas agora defendem a tese que as pastagens são menos vulneráveis na fixação do carbono que as árvores que substituíram.

Já há quem defenda que as gramíneas devem ter mais oportunidades no mercado de crédito de carbono a longo prazo.

Acreditava-se que as florestas consumiam cerca de um quarto de todo carbono produzido pela poluição ambiental no mundo todo.

Um estudo da Universidade da Califórnia em Davis, descobriu que pastagens são sumidouros de carbono mais resistentes do que florestas,  na Califórnia do século XXI.

O estudo indica que até 2030 haverá uma redução  das emissões de gases de efeito estufa naquele estado. 40% abaixo dos níveis de 1990.

As descobertas, publicadas na revista Environmental Research Letters, têm importância particular para as regiões semi-áridas, que cobrem cerca de 40% do planeta.

As pastagens armazenam mais carbono do que florestas, porque são menos afetadas pelas secas e incêndios florestais.

Os benefícios ainda podem ser multiplicados com  uma boa gestão da terra, ajudando a melhorar a saúde do solo e a aumentar os estoques de carbono nas pastagens.

Ao contrário das florestas, os prados sequestram a maior parte de seu carbono no subsolo, enquanto as florestas o mantém  principalmente em biomassa e folhas.

Quando os incêndios florestais fazem as árvores arderem em fogo, o carbono queimado é devolvido à atmosfera.

Quando as  pradarias queimam, o carbono fixado no subsolo tende a permanecer nas raízes , tornando-os mais adaptáveis ​​às mudanças climáticas.

Não se pretende justificar a destruição das matas nativas pelo que representam em biodiversidade.

Basta pensar um pouquinho fora da caixa das ideias pré-fabricadas em tamanho único e repetidas sem olhares críticos.

Ainda dá tempo de preservar a espécie Bos taurus, agora ameaçada de extinção pelos predadores naturais.

Os temíveis veganos.

Não vai ser o pum da vaquinha que vai estorricar nosso planeta azul.

Forêt du Brésil, Floresta brasileira- Johann Moritz Rugendas (1820) – Museu Imperial, Petropolis

(O texto publicado em 04/11/19, sofreu atualizações)

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