13 de junho de 2024
Opinião

Lula e Bolsonaro dão pontapé na campanha

 

Na semana que os dois candidatos melhor avaliados nas pesquisas de intenção de voto para Presidente da República visitam o RN, se impõe um manual para saber quem é quem no jogo eleitoral aqui no Estado, depois de tantas mudanças resultantes da adequação partidária depois de novas regras impostas na legislação eleitoral.

Lula, o candidato e líder do partido melhor estruturado, o PT, que aparentemente menos sofreu com as mudanças da legislação, definiu as modificações como a transformação de partidos políticos no Brasil em “cooperativa de deputados”, porque são os Deputados Federais que definem os caminhos – melhor para eles – a seguir.

Ao contrário da nossa tradição política, a formação dos partidos não está sendo feita, desta vez, em torno de um nome que define as posições na preparação de uma disputa majoritária.

Mas num cenário multi-partidário, são os Deputados Federais que se colocam como prioridade, porque é a votação deles que define a participação de cada legenda no Fundo Partidário de R$ 5 bilhões das burras do Governo para financiar as campanhas eleitorais, entrando ainda na conta o custeio das estruturas partidárias e remuneração dos seus dirigentes.

OS CAMINHOS DOS DOIS

As trajetórias partidárias de Lula e Bolsonaro, são absolutamente opostas em matéria de vida partidária.

Há 42 anos, Lula, ancorado por inúmeros intelectuais e artistas, entrou na onda da redemocratização como a proposta de um Partido de Trabalhadores, tendo ele como um exemplo de trabalhador metalúrgico e sindicalista no ABC paulista, migrante nordestino com várias características para formar o perfil de um novo político, diferente de tudo que havia sido visto até então na política brasileira.

Bolsonaro, capitão do Exército, decidiu assumir uma posição de sindicalista, reclamando dos baixos salários dos militares. Em 1989 foi transferido para a reserva e descobriu um colégio eleitoral ainda virgem pra chamar de seu: a Vila Militar do Rio de Janeiro, e disputou seu primeiro mandato, de Vereador, pelo PDC.

E desde então não parou mais: PP, PRP, PFL, PPB, PTB, PSC, PL, PSL sem contar o insucesso em formar seu próprio partido, “Aliança Pelo Brasil”, já Presidente da República.

Agora é PL desde criancinha. Nas suas peregrinações partidárias teve companhia de mulheres, ex-mulheres e filhos nessas suas andanças.

AS POSIÇÕES ESTADUAIS

Nos últimos 60 anos, a política do Rio Grande do Norte foi feita a partir de grandes líderes: Dix-sept Rosado, Dinarte Mariz, Aluízio Alves/ Henrique Eduardo/Garibaldi Filho, Tarcísio Maia e José Agripino.

Agora o quadro é outro.

Vamos tentar fazer um pequeno itinerário para que o leitor possa se situar nas andanças de nossas lideranças estaduais e seus apoios federais.

Lula é PT e não só PT. Dono Nacional do Partido, além de preservar o espaço para ela disputar a reeleição, sem ouvir ninguém, buscou aliados para formar a chapa de Fátima Bezerra, sem remorso por descartar o senador JP Prates, um dos melhores da sua legenda.

E rasgou uma das bandeiras do PT potiguar que foi o combate às oligarquias, agora para formar a chapa majoritária, com Walter Alves (presidente estadual do MDB) e o ex-prefeito Carlos Eduardo (presidente estadual do PDT), lídimos representantes das nossas oligarquias.

Com um agravante, o Partido de Walter tem candidato a Presidente da República, Simone Tebet; e o de Carlos Eduardo, Ciro Gomes (aparentemente, ambos, sem receio de infidelidade). À raia miúda teve direito de formar um “federação partidária” com PC do B e PV, pensando na formação das nominatas para a eleição proporcional.

OBSTÁCULOS DA OPOSIÇÃO

Se no PT está essa confusão, imaginem como está se arrumando a oposição a Fatima?

– Com Bolsonaro 100%, está o candidato a Senador, ex-ministro Rogério Marinho (PSL), ungido pelo próprio Presidente, numa disputa interna com o ministro Fábio Faria e virou coordenador da campanha dele  no RN.

Fábio fica cuidando da chegada da telefonia 5-G ao Brasil, no Ministério, e desobstrui o caminho para seu pai, o ex-governador Robinson Faria, ser deputado federal.

O próprio candidato ao Governo, Fábio Dantas, agora agasalhado na legenda do Solidariedade (que no plano nacional apoia Lula), disse que não se julga um bolsonarista, mas vota nele.

Só saiu candidato na 25ª hora depois de sucessivas desistências. Que nem um político indagado, numa entrevista na TV, se já tinha fumado maconha e saiu-se com essa: –  “fumei, mas não traguei”.

O resto, a “cooperativa de deputados”, na sua maioria, não tem compromisso estável com ninguém, numa eleição que as prioridades são os interesses deles próprios. Podendo alternar apoios e preferência no ritmo da campanha.

Complicando ainda mais o quadro, apareceu o deputado Rafael Motta (Presidente do PSB, partido de Alckmin, vice de Lula) que trocou uma reeleição possível para deputado por uma candidatura a Senador, apostando na rejeição dos principais concorrentes. E tirou logo uma foto com Lula.

E É SÓ O COMEÇO

Calma pessoal, ainda tem muita campanha pela frente.

As movimentações de amanhã e depois, são só o começo. Primeiras movimentações de rua dando oportunidade de cada lado mostrar suas musculaturas, assim como a capacidade de mobilização.

Lula participa de um evento oficial, a abertura da 1ª Feira Nordestina de Agricultura Familiar e Economia Solidária, que se realiza no Centro de Convenções de Natal, promovido pelo Governo do Estado, num auditório formado, na quase totalidade, por simpatizantes do PT, em pleno feriado de Corpus Christi.

E ainda tem uma reunião com os Governadores do Nordeste que apoiam sua candidatura.

Já o presidente Bolsonaro, na sexta-feira, terá a companhia do ministro das Comunicações, Fábio Faria, na solenidade de lançamento do Programa Internet Brasil, um dos points da sua pasta.

O evento acontecerá na Praça Mãe Peregrina, em Pitimbu, zona sul de Natal. Ou seja, Bolsonaro estará com o povão e com a expectativa de grande movimentação popular podendo até rolar uma motociata.

Finalmente, a campanha está chegando. E com dois pesos pesados no ringue.

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