26 de fevereiro de 2024
Memória

UM AMOR DE GRUDE

Mulher e Criança (1938) – Cândido Portinari – Museu de Arte de São Paulo


Quem conta estória de criança e já avista a septuagésima primavera pelo retrovisor, não deixa de lembrar o mestre no fascinante ofício.

Há cinco anos, neste pedaço de tela de smartphone, foi publicada uma delas, homenagem ao autor,  falecido há 20 anos, e como prova que o território não é livre de repetições.

Criança diz cada uma!

Autor deste e de mais de cem títulos.

Do monólogo de longevo  sucesso, As Mãos de Eurídice, declamado por décadas, por Rodolfo Mayer e mais de centena de atores, em mais de meia centena de países.

De Dona Xepa, peça que virou uma daquelas imorredouras novelas de TV.

De outros tantos livros infantojuvenis.

De músicas.

De reportagens.

De críticas teatrais.

De entrevistas.

Ainda arrumou tempo para ser médico.

No tempo em que nem antibióticos havia.

Pioneiro numa especialidade que ajudou a tornar  tão abrangente, que virou um curso à parte.

E nova profissão.

Fonoaudiologia.

Só no elenco dos cantores (do brilho de João Gilberto e Roberto Carlos), sua clientela dava pra fazer mais de um LP com as 14 mais.

Semanalmente,  trazia  graça à revista dos primos.

Aconteceu, virou Manchete.

Estórias do  consultório.  Universo e mundo das crianças.  O inusitado sempre presente.

O  ramo mais destacado da sua frondosa obra.

Quem sabia ouvir e falar a linguagem dos pequenos,  estará sempre na lembrança dos avós quando surgir uma pergunta inesperada ou uma resposta desconcertante.

Como na volta de uma viagem dos pais.

Depois de  quinze dias de saudades, insuficientemente recompensadas por muitos presentes, um demorado e apertado abraço.

E a declaração sussurrada:

Mãe,                                                                                 Vou passar cola em mim. Para nunca mais desgrudar de você.

Ave, Édipo Rei!

Salve, Pedro Bloch!

Mulher com Criança (1936) – Cândido Portinari – Coleção particular

 (Publicação original em 20/12/2019)

3 thoughts on “UM AMOR DE GRUDE

  • Geraldo Batista de Araújo

    O médico escriba me obriga a ser repetitivo ao dizer que ele é bom na arte de curar e igualmente na arte de escrever. Nossa amizade é quase uma irmandade mesmo sem meu merecimento. Vou continuar cobrando dele a publicação de um livro e me ofereço para escrever o prefácio.

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    • Domicio Arruda

      Quem sabe, uma boa resolução para o Ano Novo?
      Organizar um livro.

      Resposta
    • Domicio Arruda

      Professor,
      Estou quase engolindo está corda.

      Resposta

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