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                   Ramon Casas – Barcelona (1902)

A  falta que Stanislaw Ponte Preta faz é medida pelo desafio que lançou e ainda não foi alcançado

Nem a moralidade foi restaurada; nem todos se locupletaram.

Somos mesmos governados por forças ocultas que até Jânio Quadros não conseguiu explicar como agem.

Os astros,  alinhados  ou fora das suas órbitas, ofereceram ao nosso país, seguidas oportunidade, todas desperdiçadas.

Experiências que terminaram em impasses e conflitos.

São fatos que pedem para ser lembrados, num passeio pela História.

Começamos como terra devoluta.

Nem os corsários e piratas quiseram tomar conta.

Para eles interessavam o pau abundante e as índias, desbundar.

Pindorama foi oferecida a quem quisesse arriscar a perigosa travessia para ser capitão (olha aí nosso destino) com direito a passar de herança aos seus 01, 02 e 03 d’antão.                               

Alguns faltaram à própria posse e nunca por aqui deram nos seus costados, o ar de nobres graças.

Como legado dos que vieram, duas profissões almejadas sobrevivem: funcionários fantasmas e  aspones de coisa nenhuma.

Os governadores-gerais mal foram prefeitos das capitais.

Colônia mal cuidada, virou casa de mãe-joana.

Poderíamos ser hoje outra pujante federação.

Comunidade Europeia Subequatorial.

Em cada macrorregião colonizada, uma cultura diversificada.

Que pena que não foi assim.

Portugueses, os primeiros a chegar, manteriam Arraial d’Ajuda,  Bahia, Trancoso e mares dos sertões de Glauber Rocha.

Holandeses, cuidariam de Mauritsstad  a  Nova Amsterdam.

E das Rocas ao Golandim, incorporando as províncias do Alecrim e das Quintas Profundas.

Extremo sul, anexado aos vizinhos espanhóis,  para mais gente llorar por ti, Argentina.                 

Descendentes de Villegagnon, estariam  cantando bossa-nova, partido alto e funk proibidão, en français, embaixo do sovaco do Cristo erguido por eles mesmos, no alto da corcova.                                        

São Paulo  tanto poderia ser independente (remember 1932), ou dividida entre os invasores retardatários.                             

Harmonia de espaguete com sakê. Sushi no chianti .

Nossa melhor fase, graças à sombra de Napoleão, chegou e voltou com a corte do sexto João.

Reino unido, só enquanto  a barra não limpava na terrinha da amante de Zeus.

Promovido a império, começou como brincadeira de criança para atingir o apogeu de Pedro II, nosso maior estadista, até a reeleição dos 200 mil de FHC.

A república, nascida sob o estigma da primeira traição do generalato, depois de ser velha, nova e agora, velhíssima de novo, não deu certo nos regimes a que se submeteu.                       

Continua tão balofa no presidencialismo como gorda foi no parlamentarismo.

Depois dos anos plúmbeos de trevas e das 13 pragas vermelhas, o futuro ainda é não sabido e incerto.

Já que o presidente da república está mais preocupado na contagem dos votos que não terá mais, o congresso recauchuta leis para garantir a renovação dos mandatos e o supremo tribunal, … melhor calar, só nos resta  pensar no que deixamos de ser.

E a constatação que no momento, não faltam guias para conduzir o país ao que parece ser seu destino:

República  da Anarquia Organizada do Brasil.

(Este texto é uma revisão de uma  ideia consolidada desde 14/08/2019)


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Manuel Benedito Vives – A família do Anarquista (1899), Valência, Espanha

8AB7EE7B-58D7-4DB9-A578-A2AC10D0C00FFernando Álvarez de Sotomayor – A Família do Anarquista no Dia da Execução (1899), Ferrol, Espanha

75B41C2A-6084-4E0D-8430-3D8CFD132213 Júlio Romero de Torres – Consciência Tranquila (1899), Córdoba, Espanha

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