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Sem dúvida, um juiz de direito diferente e diferenciado.

O juiz da Vara de Execuções Penais e Corregedor do Sistema Prisional de Joinville, João Marcos Buch, chegou a ser impedido de atuar no processo de execução de pena de um preso após emprestar seu celular para que ele fotografasse as celas da Penitenciária Industrial da cidade catarinense.

O caso ocorreu durante vistoria conduzida por Buch na unidade prisional em razão de uma denúncia sobre as condições precárias do local.

O magistrado disse que não pode entrar nas celas para fazer as fotografias. Ele bloqueou seu celular e entregou a um preso, escolhido de forma aleatória, que fez as imagens em menos de 2 minutos.

O preso foi acompanhado por agentes penitenciários e, segundo Buch, estava sendo observado o tempo inteiro por todos os presentes na vistoria. As fotos foram anexadas aos autos e levaram a direção do presídio a realizar as correções necessárias.

Agora, ele surpreende, mais uma vez, quebra o protocolo e é elogiado por muitos colegas em razão de sua postura humana, sensível a dor dos apenados.

Na mensagem, ele deixa uma luz de esperança:

“Como juiz da execução penal sou taxado de defensor de bandido, sou olhado de canto de olho, sou hostilizado por parte da sociedade, cega em seus traumas, ódios e medos. Então, todos os dias eu tento explicar que ninguém pode ser definido como bandido e que a pessoa que está presa assim se encontra porque um juiz com base na lei decidiu por sua prisão… o mundo dos presos não se torne a cerca de arame farpado dos campos de concentração dos holocaustos. E, desta forma, encerro , acreditando que a vida pode melhorar e esperando que esta carta chegue nas mãos de todos vocês, em cada pavilhão, cada galeria, cada cela e que ao ser lida lhe traga algum alento. Um dia a liberdade virá. Quando esse dia chegar eu desejo que vocês consigam retomar a vida em harmonia. E que a felicidade sorria. Fraterno abraço. “

DO TL: Num Brasil que cresce o eco do ódio e do “bandido bom é bandido morto”, o juiz de Santa Catarina dá uma prova que enxergar as pessoas com suas falhas, deveres e direitos, virtudes e defeitos, é a maior missão da humanidade.

 

 

 

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