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Hipócrates (460 a.C- 370 a.C)

Nas primeiras turmas nos cursos de Medicina,  muitos calouros  já haviam concluído algum outro,  na mesma área.

Farmacêuticos, dentistas e estudantes prestes a se formarem, aproveitaram créditos das disciplinas comuns e seguiram em frente no currículo mais extenso.

A profissão médica sempre teve vários atrativos, sendo dispensável lembrar a ascensão social e o prestígio que ainda resiste.

No tempo de faculdades exclusivamente públicas, o funil de boca estreita para admissão, fez muitos desistirem. Outros nem ousaram tentar e procuraram novos caminhos.

Há cinquenta anos, os rapazes que concluíam o curso ginasial (primeiro grau) e eram encaminhados para o único colégio religioso que oferecia o científico (segundo grau) tinham que fazer uma escolha.

Aos 14 anos, era preciso definir logo a profissão, nas duas únicas oferecidas.                                  Engenharia ou Medicina.

Por exclusão, quem não gostava de Matemática nem de Biologia e matérias correlatas, Física e Química, ou de muito estudo, se transferiam para o Clássico. Exclusivo da rede pública e tendo o Atheneu como ícone.

O curso médico continuou o mais procurado. Campeão absoluto na disputa, cujo placar é medido pela relação candidato/vaga.

Mesmo depois do boom da carreira jurídica, com seus invejados salários, verbas indenizatórias e outros penduricalhos.

Quando apareceram as primeiras escolas privadas, o acesso facilitado só para quem pudesse pagar as mais altas mensalidades de todo o sistema educacional, era a porta entreaberta.

Sacrifícios das finanças familiares, empréstimos e FIES a serem compensados pelo zero desemprego que  esperava os recém formados.

Agora, um novo fenômeno é observado, com porteiras escancaradas. De consequências imprevisíveis.

A multiplicação das  escolas médicas (no RN, por seis) e a possibilidade ainda mais em conta nos países vizinhos, tem atraído pessoas de faixas etárias muito mais avançadas que os adolescentes no século passado.

Como será esta nova geração de médicos é a incógnita.

Advogados, comerciantes, funcionários públicos, aposentados, jornalistas.

Pessoas que levam de volta aos bancos escolares, laboratórios e hospitais-escola, experiência acumulada e a maturidade de ter escolhido a segunda e definitiva profissão,  por convicção.

Estão cientes que a remuneração que vão encontrar depois do longo treinamento, somado com pós-graduações e residências médicas, tende a diminuir.
A menos que a lei da oferta e da procura seja revogada.

Discussão da qualidade do ensino à parte (como no privado, no público e gratuito há abundantes oportunidades de melhorias), os novos esculápios vão atuar em mercado mais concorrido.

Quem estudou Darwin mais a fundo, levará vantagem.

Depois que todos os espaços ainda vagos forem preenchidos, entre todos auto-convidados, poucos serão os escolhidos para a ceia larga.

Muitos ficarão nos exames pós colação de grau que haverão de ser exigidos.  Estes, vão ostentar o duplo título de bacharel. E estudar para concurso.

Na pós-pandemia ou na pandemia estendida,  os melhores postos de trabalho serão disputados com máquinas e tecnologias que se mostrarão mais eficazes e econômicas que os especialistas de hoje.

Além dos empresários, sobrarão aqueles  que jurarem e cumprirem os ensinamentos de Apolo, Esculápio, Hígia, Panaceia e Hipócrates.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.”

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Cristo curando o paralítico em Betesda, de Palma, il Giovane, 1592.

 

Comentários do Site

  1. Geraldo Batista de Araújo
    Responder

    Traços históricos da arte de curar são sempre interessantes. Hoje, a medicina se tornou uma batalha perigosa. O Coronavírus tem deixado a vida de muitos médicos, infelizmente.

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