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Cassiano Arruda Câmara – Tribuna do Norte – 15/09/21

Numa “Carta à Nação”, emitida na quinta-feira, dia, 9, dois dias depois de esgotar o seu estoque de manifestações antidemocráticas e argumentos golpistas, surpreendeu a rapidez com que o presidente Jair Bolsonaro foi de um polo a outro, terminando humilhado, inclusive na avaliação de alguns dos seus apoiadores mais engajados.

– Como explicar uma manobra tão radical como um “cavalo-de-pau”, própria para veículos de pequeno porte, ser empregado na correção de rumos de um transatlântico do tamanho do Brasil?

– Medo!

As bravatas do dia Sete de Setembro e as consequências imediatas no mercado – valorização do dólar e queda da Bolsa de Valores – sensibilizaram os setores mais influentes da sociedade brasileira e que influenciam quem detém institucionalmente o exercício do poder.

De repente, o noticiário político passou a ser recheado de expressões como “crime de responsabilidade” e “impeachment” obrigando o primeiro mandatário a despir a fantasia de “senhor coragem” e substitui-la pelos trajes próprios de um Presidente da República, com moderação, compostura e bom senso (afinal, quem tem mandato deve ter medo).

SOCORRO URGENTE

Trocando a arrogância pela humildade, Bolsonaro, o símbolo da “nova política”, bateu à porta da “velha política”, representada por quem manobrava o timão quando esse movimento, surpreendentemente, decolou.

O discretíssimo ex-presidente Michel Temer, que ele mandou buscar em São Paulo num dos jatos da `Presidência da República”, chegou a Brasília acompanhado pelo seu marqueteiro, Elsinho Mouco, que acompanha o ex-presidente desde São José do Rio Preto, e tenta ser tão discreto quanto ele.

O resultado foi imediato, segundo o mesmo termómetro que emitiu os sinais de perigo para Bolsonaro revelando um resultado contrário: a Bolsa subiu e o Dólar caiu. Os autores materiais da “carta à Nação” não abriram o bico, ou cometeram qualquer tipo de inconfidência, mesmo assim não foi difícil reconstituir a montagem da operação “socorro urgente”.

Nem mesmo os leitores profissionais conseguiram identificar qualquer impropriedade no texto assinado por Bolsonaro.

As críticas se encaminharam para a assinatura, ou pela falta de cumprir o que historicamente era firmado pelo signatário e não saia do papel.

INIMIGO MAL ESCOLHIDO

Só o próprio Temer, pode dizer isso (e ele não fala nada) mas é bem possível que a primeira advertência da “Velha Política” tenha sido mostrar os riscos de catucar um inimigo do porte do Supremo Tribunal Federal, e destacar um dos seus integrantes, como estava sendo feito com o ministro Alexandre de Moraes.

Do jeito que no front político as palavras malditas eram “crime de responsabilidade” e “impeachment”, nas conversas de bastidores sobre o poder do Judiciário, se chegava a argumentos bem mais palpáveis, e ao alcance do Supremo, como a possibilidade de prisões no círculo presidencial mais íntimo, inclusive de um dos filhos do Presidente, sem esquecer o ex-ministro Pazuello ou mesmo o Queiroz velho de guerra, o operador da “rachadinha”.

O problema é que o prazo de validade da terapia aplicada com rápidos efeitos, é muito curto. Porque a vida pregressa de Bolsonaro é cheia de promessas não cumpridas e de compromissos esquecidos.

HORA DO REFRESCO

A semana passada – Semana da Pátria – que tinha tudo para ser um refresco para o Governo, terminou sendo cheia de tempestades provocadas todas dentro do próprio governo, cabendo ao próprio Presidente a missão do dizer e do desdizer.

E a própria Oposição teve a sua falta de coordenação, e mesmo de lideranças, expostas no movimento marcado para o último domingo, sem conseguir um mínimo de mobilização, muito menos multidões capazes da iniciativa ser levada à sério.

Da avenida Paulista, onde existe uma referência em matéria de público (reconhecida em todo o Brasil) se disse, com exagero, que o movimento conseguiu reunir mais gente em cima do palanque do que no meio da rua.

Ficou claro que o objetivo do movimento (assinado pelo MBL e “Povo na Rua”) era angariar alguma substância para a chamada 3ª Via, que se mostrou ainda mais difícil pela ausência das esquerdas, com exceção de uns poucos camaradas do PC do B, representado em São Paulo, por um Deputado de sua bancada federal.

ASSUNTO LOCAL

Mesmo quem sempre procurou respeitar os limites da Província como sua pauta diária, aqui e agora, não conseguiu escapar do assunto nacional, nas circunstâncias dos últimos dias vividos. Assunto que tomou conta de tudo. Sobretudo num Estado que não sabe o caminho que terá de percorrer, ou ainda não quer saber. Pelo menos nesse resto de setembro.

Aqui, a manifestação de domingo, não chegou a existir, e a tentativa feita acusou uma particularidade, tanto faltava público, com também faltou palanque.

É o reflexo da própria falta de arrumação dos partidos, começando para os Ministros de Bolsonaro. Fábio Faria que parecia certo no PSD, com as posições adotadas pela direção do Partido, terá de procurar outra legenda; um problema que pode atingir seu pai, o ex-governador Robinson Faria.

Rogério Marinho estava acertado em acompanhar o “Partido da Assembleia” rumo ao PP, mas sabe que não lhe cabe dar o primeiro passo.

Comprometimento com a luta federal só o PT com a candidatura de Lula, e o General Girão, e sua turma, com Bolsonaro.

Muitos esperam uma 3ª Via, com a mesma segurança de quem imaginou conseguir atingir esse objetivo promovendo uma manifestação, como a de domingo…

Comentários do Site

  1. Noviniel
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    Os canalhas que não querem o bem do país dizem que o Presidente foi humilhado, mas para o Povo brasileiro de bem, a quem o Presidente deve lealdade, ele sempre será exaltado como um grande patriota.

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