Por Carlos Eduardo Emerenciano – advogado e arquiteto

No início deste ano, durante um evento da União Democrata-Cristã (partido de centro-direita alemão), um presente ostentava orgulhosamente a bandeira alemã. Ao ver aquilo, a chanceler Angela Merkel fez cara de poucos amigos (o normal da notável líder e política) e mandou recolher a bandeira.

Qual o significado do gesto? Nenhum partido ou movimento político pode se apropriar de um símbolo pátrio, que pertence a todos e não a um grupo. Os alemães sabem mais do que ninguém do risco disso acontecer. Vivenciaram a miséria do Nazismo e suas consequências.

Hoje, comemoramos no Brasil o 7 de setembro, Dia da Independência. Temos muito mais a refletir do que a comemorar.

Vemos aparecer, não sei de qual esgoto, movimentos neofascistas. Ressuscitaram o lema integralista, “Deus, Pátria e Família” ,que devia ter ficado no túmulo da história.

Algum desavisado pode perguntar: e você é contra esses valores?

É exatamente o contrário. Justamente por reconhecê-los de todos, sem distinção, não aceito a sua apropriação por nenhum grupo.

A raiz dos movimentos fascistas está aí. Apropriam-se dos símbolos pátrios, familiares e religiosos e rotulam os seus adversários como verdadeiros inimigos da Pátria, da Família e até de Deus.

Como se Deus, na sua concepção cristã, possa ser dividido ou repartido. Já dizia São Paulo, na Carta aos Gálatas: “todos vós sois filhos de Deus em Cristo Jesus; (…) Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem e mulher, porque todos sois um só em Cristo Jesus”.

Numa democracia, não há lado certo ou errado. A maioria vence a eleição e governa. A minoria perde, fiscaliza e não pode e nem deve ser esmagada pela maioria de ocasião. O vencedor deve ter em mente que governa para todos e não apenas para os seus correligionários, nem muito menos para seus bajuladores.

E a religião? Como bem ensina a Constituição, deve ficar longe dos poderes constituídos, afinal vivemos num estado laico. Vale relembrar aquela história da moeda: “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

Observamos um patriotismo estéril e desprovido de valores. É um patriotismo que isola parte do seu povo, assim como há uma religião que desliga parte das pessoas, rotulando-as e estigmatizando-as. Samuel Johnson, no século XVII, já havia enxergado esse perigoso movimento ao sentenciar: “o patriotismo é o último refúgio do canalha”.

Já assistimos a esse filme e não queremos revivê-lo.

O “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Não!

O Brasil está aí para todos e só tem sentido assim. Para as múltiplas visões deste País Continental, maravilhoso em sua diversidade e pavoroso em suas desigualdades.

Comentários do Site

  1. otarocha
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    Meus parabéns Carlos,você disse tudo o q penso do atual momento.Convivi com petistas na UFRN,tive algumas divergências e discussões,mais acho que hoje está bem pior.Esse pessoal Bozo são bem piores do que o mais radical dos Petistas.E essa apropriação dos símbolos nacionais não vejo com bons sentimentos.Me dá medo.

  2. Flavia Djahjah
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    Bandeiras dos EUA e de Israel na rampa do Palacio do Planalto, simbolizam a dependência e a submissão deste país , chega a ser patética, um país nas mãos de apátridas e de sujeitos inescrupulosos e venais, falsos patriotas e vigaristas.

  3. Flavia Djahjah
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    Parabens ao escritor !! Excelente texto, esperamos uma patria verdadeiramente independente e socialmente justa para nossos filhos!!

  4. PedroArtur
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    Parabens Laurita, o seu texto usando Sao Paulo ( Carta aos Galatas ) foi perfeito , o Brasil Eh dos Brasileiros nao dessa ideologia barata.

  5. Loremberg
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    Ninguem esta se apropropiando da bandeira nacional, usa quem quer, contanto que a respeite, nao existe proibicao em nenhuma lei. As pessoas que a negam, nao sabem que ela nao representa uma pessoa ou um grupo delas, representa um pais, uma nacao, a patria. A bandeira Brasileira nao tem ideologia mas traduz as cores e o desejos de quanto foi criada; “Ordem e Progresso”. Ao contrario disso, a cor vermelha representa o comunismo, disfarcado de socialismo ou progressismo, como queiram chamar. Cores de paises como da antiga URSS e China, que nada tem a ver com as nossas tradicoes e valores. Comemoremos entao a nossa independencia e liberdade, algo que as pessoas so sabem o que sao quando as perdem. A nossa bandeira e verde, amarela, azul e branca. Nunca foi vermelha, jamais sera.

    • Nilda
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      Perfeita aula de patriotismo, cidadania e democracia ! A bandeira do Brasil jamais será vermelha! Aliás, é claro o disfarce esquerdista no texto.

  6. Loremberg
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    A censura já chegou aqui na tribuna do norte. Quem coloca uma opinião, sem qualquer ofensa, mas que não se enquadra no “perfil” desse “espaço democrático” não tem o comentário publicado. Esses são os mesmos que acusam outros de facistas, intolerantes e cheios de ódio ? Vou usar o último parágrafo do escritor desse texto para avivar a memória da hiprocrisia.
    “O Brasil está aí para todos e só tem sentido assim. Para as múltiplas visões deste País Continental, maravilhoso em sua diversidade e pavoroso em suas desigualdades”.

    • Nilda
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      Pura verdade ! Há muito tempo isso é claro, mas nem todos reconhecem… principalmente os amigos do(a) colunista/aqueles queue postam suas opiniões em forma de artigos/textos . O título da Coluna precisa ser melhor visto. Divergente da prática democrática que o intitula.

  7. Lauro Duarte Costa
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    Muito melhor bandeiras dos EUA e de Israel, do que as “Bandeiras” do LULADRÃO e seus puxadinhos: PT, VENEZUELA, CUBA, MST, entre outras mazelas que acabaram com o Brasil, em todos os sentidos. Realmente, as Universidades Federais e os IF’s, têm que sofrer URGENTEMENTE uma intervenção radical, não dá mais para aguentar esses pseudos professores comunistas. O Comunismo não deu certo nem na União Soviética, quanto mais por aqui.

    • observanatal
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      Os IFs e UFs não precisam de intervenção radical nenhuma. Se querem tentar mudar o que se pensa lá, ocupem o espaço de forma inteligente e transformadora.

      Quanto bandeiras, para um patriota, importa que seja a bandeira brasileira. Mas no Brasil é assim, seja de esquerda ou direita, primeiro beija a bandeira dos outros, sonha em ir pra lá e depois limpa a bunda com a bandeira do Brasil. Vá enganar outra pessoa, Satanás!

  8. Marcio
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    Curiosamente, o sujeito quando critica o estado despótico moderno só lembra do Nazismo, esquece de citar o Comunismo, que por ser um movimento internacional sugere ser superior ao outro movimento coletivista totalitário chamado Nazismo, este Nacionalista. Ambos provocaram o morticínio de milhões de pessoas; o comunismo ainda continua por aí, afligindo a vida de bilhões. E a sra Angela Merkel, como todos sabemos, ou deveríamos ter sido avisados, saiu do Partido Comunista, daí sua simpatia pela criatura.

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