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A obra imortal, sempre revisitada pelas novas gerações do teatro, cinema e televisão, continua fazendo sucesso.

E cartazes.

Nas vésperas do Natal, a morte do maior dramaturgo brasileiro do século XX, Nelson Rodrigues, completou 40 anos.

Foi pouco lembrada.

A pandemia não deixou espaços para o mais convicto dos reacionários ser homenageado como merece.

Polêmico e provocador, parecia impossível aos leitores do século passado que a produção obscena de um tarado, conquistasse a unanimidade de hoje.

Só a burrice contemporânea explica este óbvio.

Agora, tão ululante.

Filho de dono de jornal, cresceu e deformou-se nas redações.

Sem privilégios de herdeiro, transformou o trabalho insalubre reservado aos focas, em matéria prima para romances, peças,  contos e crônicas.

Cobrindo o noticiário policial, encontrou personagens que tornou inesquecíveis, no universo onde predominaram as mulheres.

Sofridas, traídas, enigmáticas, desesperadas, sedutoras, vingativas.

As empoderadas também teriam vez se um milagre da ficção científica ou uma máquina do tempo,  trouxesse o anjo pornográfico de volta ao seu penúltimo endereço, na Irineu Marinho 35.

Seus personagens, como almas penadas, continuam à procura de quem conte suas estórias com a mesma fidelidade que nem sempre manteve.

Que sejam cruéis, compreensivos, trágicos, sórdidos, eróticos, santos, profanos, sacanas.

Frequentes nos noticiários, engrossam estatísticas, em relatos burocráticos, desprovidos de paixão e alma.

A mesma matéria prima que o apaixonado profeta tricolor soube, com maestria,  extrair do futebol e calçar em chuteiras imortais.

Como a professorinha da periferia de São Paulo que passou pra mais de uma semana percorrendo delegacias, hospitais e necrotérios à procura do companheiro de sete anos, desaparecido poucos dias depois do réveillon 2020.

Sem motivo. Sem explicação

Não adiantaram as buscas de todos da família. Nem a mobilização dos amigos.

Esgotados os recursos das redes sociais, alguém lembrou que um detetive particular poderia desvendar o mistério.

Se o amado não aparecia, por que o carro que ele cuidava com tanto zelo, haveria também de sumir?

1984 há muito já ficou para trás, outros big brothers surgiram e há em cada esquina, um insone pardal.

Na estrada de São Vicente, praia de verão e dolce far niente, as câmeras não respeitaram o direto de ir sem vir.

A pista, depois das mesmas curvas que levam a Santos, acabou na beira do mar.

De frente para um grupo de casais que não guardavam o recomendado distanciamento social, em animado churrasco.

O enigma,  finalmente foi decifrado.

O mais procurado,  agora é ex-marido.

pranto continua. Por outro motivo.

Melhor se tivesse morrido.

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