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Desafio aceito.

É assim que se participa nas redes sociais, do vai-e-vem das novidades, cada vez mais rápido e vertiginoso.

A novel unidade de tempo, medida em 10 dias, exige presteza nas respostas aos convites irrecusáveis.

É o tempo que se tem para postar uma foto no tema escolhido, uma a cada dia.

Até que chegue outra provocação mais instigante e reinicie a contagem.

Quem começa a brincadeira, escolhe o que quer ver.

Fotos quando bebês, de doutor do primeiro ano ou fantasias de matinês de carnaval. Tudo valia a pena quando as almas eram pequenas.

As de maior sucesso são os lugares visitados. Torre Eiffel e Times Square, campeoníssimas.

Se bem que os parques da Disney sejam hors concours.

Os mais descolados, pedem capas de discos. Só valendo LPs. De todos os ritmos e gostos.

Intelectuais e pseudos, livros.

Até agora, ninguém lembrou de incitar os amigos a mostrarem os dez que enfeitam as estantes,  imaculados.

Ou meio-virgens, se contadas as violações himenais restritas às orelhas e contracapas.

Pode ser exigido que o fotógrafo não apareça e que o dono da fotografia, tenha feito a pose para algum outro turista, na troca de gentilezas. E ninguém vai lembrar mesmo com quem e onde foram parar as que bateu nas nikons espalhas pelo mundo.

Na busca para o cumprimento do compromisso assumido, enigmas desafiadores.

A identificação de antigos colegas nas panorâmicas, vira um excitante jogo on line.

Saber quem são os adolescentes que não seguiram com os amigos que envelheceram juntos, é quase impossível, passado meio século.

Mas sempre aparece alguém para lembrar detalhes. Os nomes completos. Onde moravam e para onde se mudaram. Cada descoberta é uma vitória.

Nos grupos familiares, as novas configurações exigem a reedição da famigerada censura. Pré-postagem.

Alguns personagens perdem importância nas versões atualizadas e desaparecidos das tramas atuais somem também das cenas de época.

Em passes de mágica de um app, saído  da cartola de um David Copperfield ou por sortilégio de algum misterioso, Mister M, suas imagens são trocados por espaços vazios

A matriarca há muito tempo já resolveu o problema. Quando percebeu que a lei do divórcio era daquelas que iriam pegar, passou a cuidar mais do posicionamento das pessoas nas fotos de noite de Natal e outros festejos que merecem registro e porta-retrato.

Além dos cuidados clássicos da meninada na frente, sentados ou de joelhos, os mais altos atrás, gordos espremidos, escondendo os excessos pneumáticos, passou a dar atenção especial aos genros e noras.

Sempre posicionados nas laterais.

Mais próximos do certeiro corte à tesoura, depois que todas as tentativas de reconciliação dos casais falharem.

Mesmo pobres em pixels, fotos antigas revelam muito mais que lembranças, quando captam o frescor da juventude que o tempo transformou em descendência e histórias de vida.

O que acharão os netos  da avó quando jovem que o colega não conseguindo identificar, perguntou:

Quem é a gata sentada no capô?

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