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(Do enviado especial ao front)

Os embates acontecem simultaneamente, em todos os lugares, envolve todas as nações e não poupou nenhuma cidade, classe social, raça ou credo.

O quadro é desolador.

Na linha de frente, a contagem das baixas, um rosário em preces de lamento.

Neste ambiente tumultuado, sofrido e confuso, uma outra guerra se desenvolve.

Observadores de outras lidas, na convivência diária, testemunhas do que se passa nas trincheiras, conseguem identificar uma rivalidade intestina e fraterna que pode comprometer o esforço coletivo da tropa.

Tudo começou ainda nos primeiros ataques do inimigo, em campos do Oriente.

O avanço sorrateiro e relâmpago não parava com nenhuma das armas de defesa usadas em conflitos anteriores.

Os comandantes supremos, depois de ouvirem os gladiadores mais experientes, concluíram que  a vitória só seria possível com um tipo de munição que nunca havia sido fabricado, se bem que já houvesse estudos a respeito.

A ordem foi anunciada aos quatro ventos e cinco continentes.

Para desenvolverem rápido o que o mundo estava precisando, sem preocupações com os  custos.

Os artesãos,  muito bem remunerados,  com  a garantia de compra de toda a produção, passaram a trabalhar sem descanso.

Enquanto oficinas e fábricas estão à toda carga, a violenta luta continua. O invasor cada vez mais cruel, não mostra sinais de cansaço.

Nos quartéis, enfermarias e hospitais de campanha se usa de tudo que estiver disponível.

O passar do tempo mostrou que enquanto o recurso salvador não chegava, armamentos considerados obsoletos, mostraram resultados animadores.

Algumas vilas que resistiram com grau menor de destruição, empolgaram outras a adotar a mesma estratégia.

Comandantes-em-chefe mais fanfarrões não cansaram de repetir que o conflito poderia acabar muito antes da chegada do armamento redentor, somente com equipamentos de baixo custo, fácil feitio e encontrado em qualquer botica de esquina.

Ficaram como burros na água e foram apresentados aos mais  baixos  índices de aprovação nas pesquisas de opinião.

No exército comandado por general intendente, pouco afeito a  embates, estratégias e logística, os combatentes se dividiram.

Guerreiros  antes unidos com o mesmo propósito, esqueceram o que há séculos repetia o patriarca primeiro:

“Curar quando possível; aliviar quando necessário; consolar sempre”.

A perigosa refrega extrapolou, trazendo para  a briga, formadores de opinião, digital influencers e novel epidemiologistas.

De um lado,  os que acham que a melhor defesa é a paralisia.

Que passar por  morto,  é garantia de vida.

Para estes, não há necessidade de reação inicial.

Os desafortunados, só quando o ar já estiver irrespirável, devem procurar os pelotões de saúde.

Do outro, os que distribuem entre os aldeões, artefatos bélicos simples, que associados, empregados em fases bem determinadas dos ataques de estratégias bem conhecidas, seriam capazes de evitar ferimentos mais graves, permitindo a recuperação dos caídos, no aconchego dos lares.

Não se sabe como esta guerrilha vai acabar.

Surpreendeu que tenha recrudescido logo quando a tão aguardada proteção começa a chegar aos campos de batalha.

O que não tem explicação é que a arma-medicamento, símbolo da polêmica e das intrigas é velha conhecida dos oficiais médicos, há mais de 40 anos.

Com inquestionável eficácia,  comprovada pelos cientistas de todas as cores, sotaques, ideologias e saberes.

Pelo menos, na erradicação de chatos*, tem nível de evidência IV.

*Pthirus pubis.

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