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Moça na Máquina de Costura (1921) – Edward Hopper – Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid


Não foi só o invento de
Graham Bell que fascinou Dom Pedro II na Exposição Mundial da Filadélfia em 1876.

O imperador também aproveitou a viagem e trouxe na bagagem não alfandegável, duas máquinas de costura.

Doze anos depois, entre uma viagem e outra do pai, a Princesa Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bourbon-Duas Sicílias e Bragança, regente substituta que decidia e mandava, além de promulgar a lei de ouro que libertou os escravos, também autorizou o funcionamento da primeira empresa de máquinas de costura no país que começava a tropicalizar os modelitos europeus.

Quem veio, foi logo uma Brastemp.

Ator de pouco sucesso nos palcos de Nova Iorque, Isaac Singer  ganhou mais que um Oscar dos figurinos ao promover modificações nas rudimentares e artesanais máquinas de costurar, vindo a ser dos mais bem sucedidos industriais do seu tempo.

Sua obra prima tornou-se líder de mercado e sinônimo de qualidade.

A fama resistiu ao tempo e à invasão dos chineses.

Hoje, quem não compra roupa feita em série, prêt-à-porter, ainda usa produtos das velhas engenhocas.

Quando Severino da Roupa Feita teve a mesma ideia de Nevaldo Rocha, instalou a primeira indústria de confecções do agreste potiguar.

O sucesso das calças e camisas de mescla pré-fabricadas, alertou a revendedora exclusiva.

Dona Joanita logo percebeu que estava surgindo concorrência, maior até que a da Elgin, segunda opção mais barata que conquistava o cliente somente pelo preço mais baixo.

A tradição da multinacional, a primeira a vender a prazo em todo o país, nos idos 90 (de 1800),  era transmitida aos seus pracistas próprios.

Para estimular as vendas, uma promoção com parcelas a perder de vista.

E tentadores prêmios de desempenho.

Naquele mês, quem atingisse certo número em vendas, ganhava uma viagem, de avião, para as Cataratas do Iguaçu e Assunção.

Com direito a mordomias, churrascos motivacionais, contrabando  e os melhores hotéis.

Era chegada a hora do fusca do universitário, em férias, conhecer estradas poeirentas.

De Vila Nova, a Duas Estradas.

Do Entroncamento, a Várzea, não ficou nenhum inadimplente sem ser cobrado e comprador potencial sem os irresistíveis reclames das maravilhas das agulhas movidas a pedal,   apresentadas pelo prestamista .

Meta batida, a viagem por mérito do colaborador eventual e a carona do irmão mais velho, de acompanhante.

Entre papos, chorumelas e planos de comerciantes, o turismo têxtil terminaria no emblemático Hotel Guarani.

De arquitetura inovadora, um dos dez mais na América Latina.

Os magnatas neófitos, contaminados por dois lojistas, sócios em Itabuna, partiram para uma esticadinha a Buenos Aires.

Fora do roteiro, do orçamento e da mesada.

Anos de chumbo, aqui e lá.  Pit stop em Corrientes para revista rotineira em busca de armas e bombas na bagagem de turistas e tupamaros.

Nas vilas e cidades, soldados armados, amados ou não.

Em toda esquina da Florida, perdidos, braços dados ou não, testemunharam  os gastos dos empresários nordestinos.

Um tanto de casas de tango e muito vinho sem origem controlada depois, a volta via São Paulo com o contadinho dinheiro para o táxi rachado com os amigos da boa terra e nenhum para o hotel de pernoite.

Houve um tempo em que não havia cartões de crédito, nem cheques especiais e nem se aceitavam cheques.

Nem transferência de dinheiro online, existia.

Acreditem.

Lembrem-se das ordens de pagamentos bancários.

A aventura empresarial só terminou bem com a compreensão e ajuda de confrades lojistas  e contraparentes, da matriz de Lyra de Oliveira, na Cásper Líbero, com filial na Ribeira.

Onde o empréstimo foi pago e o crédito renovado.


(Repetição pré-demencial do texto publicado em 30/08/2020)

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Para os Pequenos (1886) – William Merritt Chase – Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid


E81E6207-2D7A-4E44-9B8B-6C76A4D2F297Diego Velásquez – 
A Bordadeira (1640), obra inacabada – Galeria Nacional de Arte, Washington, EUA

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