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O texto é de Reinaldo Azevedo para o UOL

Comento a seguir…

Bolsonaro chegou à Presidência da República hostilizando o Supremo, como sabem. Ainda neste domingo, alguns celerados foram à Avenida Paulista pedir a cabeça de ministros, exaltando, sim, o presidente, mas já com uma nova palavra de ordem: “Justiça acima de tudo, Sergio Moro acima de todos”.

Isso implica elevar o ministro a um grau superior ao do “Mito”. Já escrevi aqui que o ex-juiz é hoje a referência da extrema-direita da extrema-direita. Mas qual é a raiz do sururu?

É aquela decisão de Dias Toffoli, presidente do Supremo, que suspendeu inquéritos cuja origem eram relatórios detalhados de órgãos de controle — como o ex-Coaf (hoje UIF) e Receita. Tão detalhados que caracterizam , na prática, quebra de sigilo sem autorização da Justiça.

Quem recorreu ao tribunal com um pedido de liminar? A defesa do senador Flávio Bolsonaro (Sem Partido-RJ), o Zero Um. Aí a ala dos, como posso chamar?, bolsonaristas menos pragmáticos entrou em parafuso.

Afinal, foram treinados para berrar contra o Supremo; para jogar a sua patriótica baba verde contra os ministros; para pedir cabeças; para atuar como milícias digitais em favor da dupla Bolsonaro-Moro — e, por óbvio, tendo a Lava Jato como referência. MAS E AÍ? Toffoli põe a sua liminar para ser apreciada pelo pleno do tribunal nesta quarta.

A tendência, avalio, é que o tribunal a endosse porque, mais uma vez, está em julgamento não exatamente a suspensão dos inquéritos, mas uma garantia constitucional.

As quebras de sigilo estavam se dando ao arrepio das autorizações judiciais.

A decisão de Toffoli está correta? Pois é… Há um capetinha que fica aqui ao meu ouvido: “Diga que não! Se é bom para Flávio Bolsonaro, não pode ser coisa que preste…” Pois é. O capeta não orienta a minha vontade.

O presidente do tribunal fez a coisa certa. Pouco me importa se A ou B gostam ou não da decisão…

DO TL: Tão verdadeira é a ótica apontada pelo articulista que não se encontra uma palavra do Presidente Bolsonaro e seus filhos sobre as ditas manifestações, pedindo impeachment de ministros do Supremo. Os mesmos que podem salvar a pele do filho 01. É um dos momentos raros em que o clã se abstém de polêmicas e se calam. Porque podem parecer insanos, mas eis a prova que não são. Silêncio da sabedoria no Palácio do Planalto. O mesmo não se pode dizer do exército virtual a serviço do bolsonarismo. Esse começa a mostrar vida própria, vontade própria, seja pelos números expressivos na manifestação de ontem, seja na forma com material fake identificado, quando fotos de manifestações de 2016 foram usadas com a hashtag atualizada #foraGilmarmendes. A briga entre criador e criaturas sempre promete…

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