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Querido Papai Noel

O senhor talvez estranhe essas linhas tão em cima da hora da festa. É de propósito.

A pressa não é pra este ano. Sabemos que já está acabando e não há mais tempo para quase nada.

Estamos pensando no próximo. Queremos ser dos primeiros a registrar os pedidos para 2020.

O senhor deve se lembrar da gente.

Somos do estado cuja capital foi batizada em homenagem à razão da sua vida.

Dá pra entender que o senhor não tenha cuidado da gente porque com este nome tão bonito, com toda razão, podia pensar que não precisássemos de ajuda.

Aquela velha estória.

Lugar abençoado. Sem catástrofes.

Temos terremoto sim, de baixa magnitude. E só pras bandas de Baixa Verde.

Vulcão, um único, o de Lajes do Cabugi. Nunca mais funcionou.

A seca, tá acabando.  O Sr. Bistrot garantiu que vai chover.  Aos cântaros, por todo canto.

Mesmo com tudo pra dar certo, a situação anda precária por essas bandas.

Já foi muito diferente.

9C3A13E3-7874-42B8-8F4A-BBAE20898B81Agora é de pior a pior, como a cantiga da patroa do bicho que não gosta nem um pouco das suas festanças.

Quando descobriram petróleo quase aflorando na terra seca, foram logo pensando em mais um emirado árabe. Ou mesmo,  um novo Texas.

Agora que o sonho de ser aceita como a oitava grande irmã do mundo do óleo, acabou. Sobrou pra gente.

Foi tanta rapinagem descoberta que pra não quebrar de vez, deram  pra vender os poços de baixa produção.  A preço de banana pacovan.                           

Ainda bem que pra não ficarmos no preju total, só com os buracos e estradas em petição de miséria, apareceram uns baianos pra tocar o negócio.

Devagar e sempre, no ritmo dos cavalos mecânicos, nos campos semi-áridos.

Até a exportação de frutas tem dado pra trás.                 

Foi-se o tempo que a gente andava todo orgulhoso que o nosso melão espanhol estava na mesa da imensa torcida merengue. E dos blaugranas.

Não basta, aqueles enxeridos cearenses exportarem grande parte do que produzimos. O nosso porto está a perigo.

Mal localizado, com  acesso por ruazinhas estreitas, sem um scanner sequer, está se especializando na exportação do que se produz clandestinamente a 8 mil km.

Em dinheiro que não paga imposto, é nosso principal produto de exportação.

O turismo, só não continua na mesmice, acreditando que só aqui tem sol (e mar), porque muita gente desviou da rota quando soube da fama de lugar violento. Perigoso.

E o trade não baixa os preços. Nem a pau. Tudo cobrado em euro.

No sal, continuamos firmes. E fortes.

Mas por aquele precinho conhecido.

E ainda por cima, com a campanha (orquestrada) que faz mal à saúde, estamos fritos. No dendê. Que já não fazemos nada do caroço do algodão.

Não é nem bom  entrarmos em assuntos de política. Não temos dado sorte com quem votamos.

Só escapa o rapaz praiano que foi deseleito pelo pessoal dos sindicatos.

Tem dado show nas reformas do Guedes.

Pra não tomar muito mais seu tempo, lembramos das eleições do ano que entra.

Será que dá pra arranjar uns candidatos de futuro?

Ninguém aguenta Ney Matogrosso de novo …

Ney Matogrosso – Homem Com H

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