My coach

My coach

Outro dia,  li numas dessas crônicas de comportamento – nem sei se existe este estilo literário – que nossas amizades são classificadas na mente (e no coração?!) de acordo com as afinidades; as medicinais, sentimentais, as financeiras, cibernéticas, de oração, de baladas,  políticas, filosóficas. Não exatamente nessa ordem. Melhor dizendo, sem hierarquia.

 Tenho uma amiga inseparável, que também é coach de plantão,  para assuntos diversos. É quase um espelho sincericida, que me ajuda em decisões que vão de make a redes sociais.

Ela é antenada, sabe o que está na moda, os assuntos do momento, me ajuda a lidar com filtros e efeitos.

O lado B é que ela é muito crítica. É exigente com ela e comigo  então, nem se fala. Ganhar um sete, ufa, é nota quase inatingível. Em regra, estou sempre correndo atrás e  … pagando mico.

Outro dia aceitei um convite das amigas da escola para cantar o hino de Nossa Senhora Auxiliadora. Pedi sua ajuda para filmar, um SOS no cenário, luz, look,  enfim…

No meio do caminho,  desisti porque o olhar crítico não me deixava concentrar nos tons já tão difíceis para uma desafinada crônica. Vai de self mesmo. E vai ficar ótimoooo.

Gostou filha?

– Mae, você não tem vergonha de postar isso? De outras pessoas verem, assim ?

Não. Done. Feito. Destravei um bloqueio de anos. Ninguém criticou – pessoas educadas, sei – quase 700 visualizações. Uma plateia e tanto.

Mas, passemos ao tema.

Ontem resolvi abrir meu Instagran. Não que não tivesse já. Ele existia, mas estava fechado para pessoas conhecidas, digamos .

Nesses tempos de pandemia de Coronavirus, cheguei a conclusão que o mundo se mudou pra lá.

É onde as coisas acontecem. Um grande shopping center  literário, de consumo, cinema, auto-ajuda, terços , missas, aulas de academia.

Alguém que se propõe a fazer parte do mundo da Comunicação tem que estar lá, com rede ou barraquinha armada 24 h.

Resolvi comunicar a decisão a minha coach.

– Você tá louca? Tem muita coisa de nosso passado nas suas fotos!!!

 E se propôs a passar uma peneira nas fotos de 2013, 2014, 2015. Em pouco tempo constatou que eu publicava muito, coisas banais, perecíveis demais,  sem menor importância; eram filmes assistidos, chocolates devorados, pratos preferidos.

– Isso tudo no feed, mãe?

(Parêntese). FEED é aquele quadro das fotos fixas,  “permanentes” postados no Instagran , que não “morrem”com 24 horas.

Filha, não existia stories ainda – as bolinhas que ficam no topo da rede – era aí mesmo que colocávamos tudo nessa rede social, que já parecia fugaz pela própria natureza.

– Claro que não, mãe. Ninguém faz isso mais.

Dar aula depois de ver a prova pronta é fácil, hein? Pensei com meus botões.

E continuou na peneira.

Exigiu que eu tirasse todas as situações vexatórias que ela fazia sem freios  nos altos dos 8/ 9 anos. Requebros, cantorias e encenações graciosas foram todas excluídas com sucesso. Sim, para meu desapontamento maior.

Retomei o controle . No feed continuam todas minhas fotos. Sem retoques, como eram no início, sem vergonha, com a maturidade e tranquilidade de quem se assume no stories ou no feed,  a verdade retratada no seu tempo. Com os porquês e entretantos de sua época.

Isso minha coach ainda vai aprender. Um dia…

PS : Espero que estas mal traçadas resistam por aqui, pelo menos, 24 horas.

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Comentários do Site

  1. observanatal
    Responder

    A sua coach é severa.
    Para o feed, ás vezes guardamos nossa história, nossos momentos, evoluções. Uma espécie de, como dizem os especialistas, Storytelling da vida.
    Para os stories, aquilo que será esquecido em 24h, desde que não seja printado. O fútil? O pueril? Nem sempre. Aquilo que é comunicado de forma mais rápida e direta, de uma vez só ou em gotas, mas em muitas gotas poucos aguentam. A necessidade da velocidade em informar e em ver outras coisas não nos permite ver muitos dos outros, talvez mais seus amores, não muito, e pouco de suas dores.

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