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Professor de Escola (1668), Jan Steen 

Terminado o verão que mal começou, as escolas no hemisfério norte voltarão a funcionar como nos velhos e dourados tempos.

Não serão  risonhas e francas no país campeão em número de casos e mortes, também recordista sem aulas em tempos de pandemia.

O retorno às atividades didáticas tem desnudado verdades, antes mostradas através do diáfano véu da hipocrisia.

Salvo as honrosas e necessárias exceções, as distâncias entre o ensino público e privado só aumentam.

Ninguém é capaz de quantificar as perdas e no futuro, a fatura virá traduzida em  índices de avaliação da aprendizagem.

Não faltarão ideias populistas para ampliação das medidas compensatórias das várias cotas que tentam aplainar o que sempre foi tão desigual.

Ninguém se surpreenda se forem reservadas vagas nos concursos públicos para os desnivelados pela Covid-19.

No estado, algum parlamentar haverá de propor a  ampliação de vagas adicionais para as vítimas da  greve de professores que se anuncia.

Uma das mais famosas de todas as universidades que teve  os cursos de graduação e pós-graduação a distância, completamente on line por um ano letivo inteiro, reabrirá seu campus.

Harvard  funcionou de forma remota sem ter dado nenhum desconto aos alunos, sob argumento que às despesas de manutenção foram acrescidas outras para fazer chegar às casas dos alunos, aulas com a qualidade de sempre.

Nos Estados Unidos, há uma  diferença que só o capitalismo deles explica. Quem não pode pagar, tem como frequentar as universidades dos milionários.

Os programas de bolsa de estudos estão disponíveis, financiados por ex-alunos bem sucedidos no mundo dos negócios e empresas.

Aqui, com três semestres  considerados não perdidos, a progressão burocrática nos diversos níveis, será avaliada no guichê de entrada do mercado de trabalho

A crise sanitária, ao mesmo tempo em que fechou as portas dos estabelecimentos, escancarou as janelas que mostraram a defasagem tecnológica, o precário acesso às plataformas digitais e as deficiências físicas bem conhecidas, em intermináveis reformas prediais.

Apesar do cenário conturbado,  a grande revolução na Educação já começou.

Além dos progressos na ciência médica, a bonança  depois da tempestade será a mais profunda lição que a humanidade já recebeu.

A dúvida é se o que deve ser ensinado, vai continuar sendo encontrado na escola tradicional ou ela nunca mais será a mesma.

Os educandos têm a real percepção do momento vivido e de onde procurar o saber.

Na volta às aulas presenciais, os pequenos, desacostumados com os métodos de antes, já precisam de um tempo para adaptação.

O neto de seis anos reagiu  à cobrança materna de completar as tarefas escolares antes das brincadeiras, recorrendo ao seu advogado e bastante  defensor afetivo.

Vovô, a professora passou dever de casa, mas eu moro em apartamento.

EDE0FD57-FEE0-4C4D-893E-53319B787984Crianças na Aula  (1918), Nikolay Bogdanov-Belsky                                  

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