NA MESMA CAPA, A HOMENAGEM RENOVADA

 

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Fabricia Cassani, artista plástica, 42 anos, de Itambé, Paraná

Há um ano, esta nesga de território livre, pedaço feliz da arte de reconhecer talentos provinciais, fez uma escolha que causou a polêmica possível no seu espectro de importância.

Reconhecimento, personificado como símbolo do trabalho dos profissionais de saúde, nos momentos iniciais do enfrentamento da pandemia, quando muitos cientistas estavam ainda atordoados, confinados em seus gabinetes dos saberes, enquanto a peste avançada sem piedade, nem resistência.

Não tardou, o quase suicida trabalho, passou a ser considerado pajelança e feitiçaria iníquas, merecedor de censuras, banimentos e punições, por variados tribunais de inquisição.

Dois meses depois de encerrada, a CPI do Senado não passou pelo crivo do tempo.  Sem resultados, além da overdose de hipocrisia desavergonhada, nada legou,  e será esquecida junto com seus gastos, nunca divulgados.

Frustrada a panaceia das vacinas, cada vez mais dependentes das sucessivas doses de reforço, cada vez mais precoces, as autoridades sanitárias, rendidas à sabedoria que é de pequenino que se torce o pepino e que o mal deve ser cortado pela raiz, autoriza as primeiras drogas para tratamentos iniciais da Covid-19.

Novas medicações, de custos inacessíveis à maioria das  populações e governos, não foram tão amplamente testadas, nem se mostram mais eficazes, nem mais encontráveis que as de baixos preços, reposicionadas por suas propriedades e ações em diferentes fases da doença, ainda não aceitas pela comunidade midiacientífica.

Este ano, a revista Time, apesar dos robôs subequatoriais  terem turbinado o nome do Presidente Bolsonaro na consulta popular, qual um perna-de-pau, escolhido o craque do jogo pelos torcedores brincalhões, agraciou como Pessoa do Ano, Elon Musk, o bilionário presidente da Tesla e da SpaceX, considerado o mais rico de todos os terráqueos.

O texto publicado há um ano, é reproduzido sem cortes, adições, nem alterações.

Que sirva de reflexão.

A verdade não tem donos, e já apareceu.

Só não viu quem não quis.

A PESSOA DA CAPA

As listas dos mais mais, saíram de moda.

A crônica social já não elege as 10 + elegantes nem os bem-sucedidos recebem troféus de destaque.

Em 1927,  o aviador Charles Lindbergh depois da primeira travessia do Atlântico, foi capa da revista Time.

A mais bem sucedida e longeva de todas as publicações, inaugurava, numa semana modorrenta, de poucas notícias, uma tradição que sobreviveu a todas as mudanças, crises e guerras, como uma das mais marcantes homenagens prestadas a alguém.

O Homem do Ano.

Vale como um Prêmio Nobel das celebridades.

Depois de ter agraciado as mais destacadas figuras públicas, chefes de estado em particular, laureou também coletivos. Cientistas americanos. Mulheres americanas.

Antes da Segunda Guerra, cometeu gafes.

Em 1938, premiou  Adolf Hitler.

No ano seguinte, Josef Stálin.

O Fürher por ter unificado a Alemanha com a Austria, antes de querer juntar o resto do mundo sob o regime nazista.

O lider e ditador soviético por mais de trinta anos, pela assinatura do tratado de não agressão com o Terceiro Reich, pouco antes da invasão da Polônia.

Tem lembrado de poucas mulheres.

Elizabeth II, Corazón Aquino, Ângela Merkel.

A ativista adolescente Greta Thunberg, foi a ganhadora da vez passada.

Há 20 anos, a premiação já havia se rendido ao politicamente correto e à ideologia de gênero.

Na virada do século, escolheu Albert Einstein como  a mais importante pessoa em 100 anos.

Na escolha afetada pela pandemia, a chapa vitoriosa, Joe Biden e Kamala Harris, formou o primeiro par na exclusiva galeria.

Os méritos enxergados nos trabalhos e ações de quem ajuda o mundo a ser melhor,  deve ser reconhecido por todas as sociedades.

Em nosso pequeno Rio Grande, há um exemplo que merece registro, reverência e preito de gratidão.

Os médicos potiguares formaram o pelotão de  infantaria no front da guerra que surgiu sem toques de alerta nem declarações de beligerância.

Sem equipamentos de proteção adequados e com poucas armas eficazes, foram eles, as primeiras e as maiores baixas.

Destemidos, permaneceram nas trincheiras, ambulatórios, salas de emergência e unidades de tratamento intensivo, sem descanso nem desânimo.

Seguiram os ditames da ciência médica e da arte de curar,  mas trouxeram para os campos de batalhas, experiências adquiridas em outras lutas, mesmo sem chancelas, carimbos e aprovos oficiais.

Um grupo em particular, merece todas as honras.

Os que mostraram que ao contrário do que diziam os sábios das academias, era possível cuidar e tratar precocemente, com armas e remédios acessíveis.

Conforto e esperança foram distribuídos por quem se tentava ridicularizar.

Enquanto não chega a cura testada e comprovada, nem a vacina eficaz, o trabalho destes nossos heróis merece ser enaltecido.

Para representá-los, o Professor Fernando Antônio Brandão Suassuna faz jus ao título e ocupa a capa da revista imaginária, com todo merecimento.

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Domicio Arruda

Aprendiz de Cronista

2 thoughts on “NA MESMA CAPA, A HOMENAGEM RENOVADA

  • 26 de dezembro de 2021 em 11:10
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    Justa homenagem!

    Resposta
  • 26 de dezembro de 2021 em 11:49
    Permalink

    Parabéns, Fernando! Você merece essa justa homenagem, pela dedicação à medicina e acreditar no tratamento precoce contra o covid-19.

    Resposta

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