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Não há país mais invejado que  a Grã Bretanha. Pelo menos da pontualidade, fama que  têm os súditos de Isabel, a segunda mulher, rainha,  de origem nobre, da dinastia de Windsor.

Não é preciso nem pesquisar quem são os brasileiros mais relaxados com o hábito de cumprir horários.

As desculpas, esfarrapadas ou não, são as mesmas.

O pouquinho atrasado está sempre atendendo alguma urgência.

A moça da recepção faz um tremendo esforço para que a justificativa não pareça rotina de quem trabalha em fuso horário especial.

Ouvida a outra parte, será dito que o início dos atendimentos precisa de ajustes no delay motivado pelos  que não comparecem ou não respeitam os compromissos agendados.

Com as igualmente manjadas estórias de engarrafamento na ponte, dos proletários. Ou para os mais retardatários e bafejados, o pneu furado. Careca, de tão usado pra todo desencontro de relógio.

Exceções às regras, sempre haverão de existir.

Os mais radicais organizam a sequência pela ordem de chegada, respeitados os grupos prioritários por lei, parentes, os recomendados por eles e pessoas com maiores chances de encontros sociais e posteriores reclamações.

Bem conhecido frequentador das seções de cartas dos jornais, com livre acesso às colunas mais prestigiadas, menos as sociais, onde nunca tem registro nos natalícios.

Militante da defesa dos direitos do consumidor, tinha tudo pra ser considerado um aborrecido de carteirinha.

Rótulo aceito em auto-ploclamação.

Geraldo Batista, o chato.                                    (Atende também pelo alter-ego, Zé das Cuias).

Implacável com os desrespeitos aos cidadãos, fez do Código de Defesa do Consumidor, sua caderneta de compras e assentamento de serviços.

Descobriu a proibição de venda de carne moída já empacotada e  insiste que a norma seja cumprida.

Ainda reclama quando chega às gôndolas nos supermercados, que nem açougues e moedores têm mais.

Sua fama correu longe. Já foi até convocado por juiz para ser perito salomônico numa disputa pela guarda de um filho, quando os casais ainda não alegavam alienação parental.

Fiel adepto do lema rotariano ‘Mais Se Beneficia Quem Melhor Serve’, faz trabalho voluntário.

De gari e podador.

No caminho matinal, das sujeiras deixadas nas calçadas e das árvores que ninguém mais cuida.

Quando soube que o exigente cliente havia marcado consulta, o médico tomou suas precauções para a satisfação total.

Recomendou que fosse avisado da chegada e agilidade na burocracia do convênio.

Ganhou a preferência e elogios pelo cumprimentos dos horários. Por muito tempo, a cada seis meses, repetidos.

Até que chegou o dia da reclamação primeira.

Foi direta. Não agradara o atendimento naquele dia.

Tudo havia sido ágil como sempre. Entrara no consultório até com alguns minutos de antecedência da hora marcada.

Mas faltou alguma coisa.                

A recepcionista teria deixado em casa, junto com os problemas domésticos, o que para ele era essencial.

Naquela vez, depois do protocolar boa-tarde, antes do uso obrigatório das sisudas máscaras, não teve direito ao sorriso acolhedor de sempre.

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Comentários do Site

  1. Geraldo Batista de Araújo
    Responder

    Como já anunciei antes, tudo verdade na escrita do amigo sem reservas. O doutor urologista nunca falhou. Não usa “máscara” a não ser a de tecido.

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