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Mesmo à distância, a data não pode deixar de ser comemorada.

Em tempos de campanhas eleitorais, fica o lembrete que o longo período sem aulas regulares pode não só provocar a perda de um ano letivo.

O analfabetismo ficará ainda mais difícil de ser enfrentado.


(Publicação original em 15/10/2019)


É TEMPO DE APLAUDIR

A constatação que mais de 500 mil potiguares maiores de 15 anos são analfabetos,  trouxe à lembrança uma história de superação.

Na apresentação ao serviço militar obrigatório,  a primeira e única grande chance na vida do morador de sítio em Areia Branca.

Desafiado pelo tenente recrutador, assumiu um compromisso. Em troca de ser aceito pelo Exército, seria alfabetizado.

Nas letras e números descobriu um mundo novo e não parou.

Fez os cursos supletivos e os de cabo e sargento.

Deu-se a outros desafios mais ousados. Vestibular e Faculdade de Medicina.

Pós-graduado, devolveu em prestação de serviços, o que recebeu da sociedade, instituições e governo.

Seu passo atrasado foi o maior salto que poderia ter dado na transformação da família toda.

Há pouco mais de um mês, neste canto de Território Livre lembramos sua trajetória exemplar.

Já era Tempo de Ensinar.

A memória de Djalma Maranhão foi revivida com a marca da sua vida pública, De Pé no Chão Também se Aprende a Ler.

Não foi esquecido o registro que Aluízio Alves deu oportunidade para Paulo Freire por em prática, seu revolucionário método de ensino nas 40 Horas de Angicos

O Profº Marcos Guerra, protagonista da histórica experiência de 1963, considerou a provocação oportuna e fez um comentário desses que envaidecem até os mais modestos aprendizes de cronistas do cotidiano.

11FA364E-D2D6-4BF3-BEE9-9E2B0B88826BO número impressionante de mais de 18 milhões de iletrados ainda não foi capaz de despertar uma comoção nacional, nem sensibilizar os governantes. De esquerda ou de direita.

Era o pensamento e a ideia.

Apesar do estado com a economia combalida e tantas prioridades quantas necessidades, o espírito do tenente de Mossoró poderia ser incorporado e ofertadas a tantos jovens e adultos as mesmas oportunidades que os 380 trabalhadores rurais do sertão central tiveram, há mais de 50 anos.

Agora, por ocasião do dia do professor, o prefeito da capital e a governadora do estado lançam programas de alfabetização de adultos.

É tempo de ensinar, aprender e aplaudir.

 

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