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Como quem é vivo sempre aparece, o ex-senador Garibaldi Alves Filho – finalmente – quebrou o seu silêncio.

Não precisou nem dar entrevista. Terceirizou para o seu filho, o deputado Walter Alves, presidente do MDB estadual, sua declaração. E este foi direto ao assunto:

– “Nesse momento ele (ele Garibaldi), surge como uma terceira via para a disputar o Senado nas urnas”.

Como o recado dele foi dado pelo filho, terminou ganhando uma outra conotação. Em vez da aspiração pessoal ou familiar, terminou sendo decodificada como uma decisão partidária.

Uma decisão do MDB, colocada num outro contexto, aproveitando o momento nacional:

– O nome de Garibaldi é sim, colocado hoje como pré-candidato a Senador no MDB. Neste momento, ele surge como uma terceira via para a disputa nas urnas.

 

UMA SÓ VAGA

A eleição do próximo ano, será para renovar, apenas, um terço do Senado Federal. É a conclusão do mandato da governadora Fátima Bezerra que renunciou depois de ter sido eleita para o Governo do Estado, e está sendo exercido pelo suplente Jean Paul Prates.

Casa Revisora da República, em termos de Rio Grande do Norte, o Senado era tradicionalmente exercido por grandes nomes, geralmente como um bônus oferecido a ex-governadores, ou grandes lideranças.

Geraldo Melo, Garibaldi Alves Filho e José Agripino são três exemplos dessa situação. Os três aproveitando o próprio prestígio pessoal, construído ao longo de toda uma carreira, em favor do exercício do mandato.

A atual representação do Rio Grande do Norte na alta Câmara é formada por três novatos. Apenas a senadora Zenaide Maia chegou lá com uma experiência anterior. Ela havia exercido o mandato de Deputado Federal.

O capitão Styverson Valentim saiu da tropa, onde comandou – com raro sucesso – a Operação Lei Seca, que puniu todo tipo de infratores (inclusive os automobilistas do andar de cima), capitalizando para si a onda da nova política a partir do seu desempenho policial, sem precisar explicar como isso o credenciava para exercer o mandato de Senador.

HORA DE RENOVAÇÃO

O senador Garibaldi Alves terminou sofrendo os efeitos da fadiga de material político. Ele e Geraldo Melo. José Agripino, que encerrava o mandato de Senador, fez a leitura correta do quadro político de então e  candidatou-se a Deputado Federal. Mas, por incrível que pareça, não tinha experiência na busca do voto proporcional, e terminou morrendo na praia pela falta do suporte de cabos eleitorais, que formam um grupo à parte nos acertos da eleição majoritária nos pleitos gerais.

Para muitos eleitores, existe uma ligação íntima entre o voto de Governador e o de Senador. Garibaldi e Geraldo –  teoricamente – compunham o palanque do então governador Robinson Faria, em 2018, muito mal avaliado pelo eleitorado, e cada um tentou escapar fazendo uma campanha em faixa própria.

Facilitaram a vida da deputada Zenaide Maia, que ocupou todo o palanque de Fátima, e ai chegamos a outra contradição. O capitão Styverson, sem tempo de televisão, fazendo uma campanha solitária, num padrão de candidato a eleição proporcional, foi entendido por boa parte do eleitorado como o candidato de Bolsonaro, mesmo sem explicitar essa situação.

Aparecendo pouco e falando menos ainda repetiu em nível estadual o que estava dando certo no plano nacional, com um candidato a Presidente que, esfaqueado, fez sua campanha vitoriosa de um quarto de hospital.

UM NOVO QUADRO

Nas eleições, como a do próximo ano, geralmente, o carro-chefe é o candidato a Governador. Mas, até aqui, existe um único candidato ao Governo do Estado, a governadora Fátima Bezerra. Ela é a cara do PT, uma sindicalista que chegou à política partidária, levando no pacote a sua atuação no Sindicado dos Professores. Enquanto o Prefeito de Natal, Álvaro Dias, é tentado a entrar na disputa pelo Governo.

No Governo, Fátima não cuidou de ampliar a sua base política, respeitando os companheiros dos tempos das vacas magras, e respeitando também os político tradicionais que nada reclamaram da ação política do governo nos municípios. Fátima não mexeu na co-relação das forças municipais.

O único movimento para ampliar sua base política foi iniciativa do “compañero” Lula, procurando Garibaldi Alves Filho para levar o MDB para um aliança com Fátima. Lula perdeu tempo. Procurou o diálogo com Garibaldi, quando a flauta era (e continua sendo) tocada por Walter Alves. Como ficou muito claro na colocação da posição de Garibaldi para a próxima eleição como “pré candidato ao Senado”, seguindo as palavras de Walter, falando como filho e como presidente do MDB estadual.

ESCASSEZ E EXCESSO

Se para o Governo ainda existe escassez de candidatos, para o Senado a situação é de excesso, embora isso ocorra em razão da iniciativa dos próprios candidatos, ou “pré candidatos”.

Começa com os dois nomes do ministério Bolsonaro. Rogério Marinho e Fábio Faria não estimulam qualquer tido de antagonismo entre ambos, mesmo os dois querendo a mesma cadeira, hoje ocupada por Jean Paul Prates. Ambos acreditando na recuperação de Bolsonaro.

Exercendo o seu primeiro mandato, JPP se coloca como um quadro qualificado do PT, único da representação do RN a ocupar uma posição além da própria bancada. Ele é o Líder da Minoria, e tem sido reconhecido pela crônica; sendo o único incluído entre as “Cabeças do Congresso”.

Walter Alves reclamou da não inclusão do pai, nas pesquisas de opinião para o Senado, assim como alguns partidários de José Agripino. Ninguém lembrou a eles que quando alguém sente necessidade de uma pesquisa para alguma coisa, deve pagar por ela.

Por essa, e outras, é que a política não deve ser feita por amadores. Muito menos por quem adota comportamentos amadorísticos.

Comentários do Site

  1. observanatal
    Responder

    O MDB está afastado daquilo que o fez grande no RN: os municípios.

    Walter não é um parlamentar atencioso, sintonizado com o povo. Ele aparece, do nada, com e$trutura, usando ainda o número de Henrique Alves, o prestígio do pai, Garibaldi Filho, o nome do tio Aluízio. É para que serve a família.

    Politicamente, talvez seja uma boa saída para Garibaldi, mas ele realmente quer? Walter Alves deixe de ser trouxa, o MDB tem poucos nomes para fazerem parte da disputa 2022. Ao invés de atrair Henrique, fica afastado e vai tomar o prejuízo. Esse medo de Henrique Alves é ridículo.

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