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Bransky – Mural-grafite em Londres – O amor está no ar (Soldado jogando flores) (2005)


Não havia nem arrumado as gavetas na entrada, quando recebeu a primeira tapa na cara.

A reação à sua posse no ministério, pode ser resumida ao vaticínio precoce do cronista e biógrafo Ruy Castro:

Pazuello assinou os óbitos de nossos pais e avós; a Queiroga caberão os de nossos filhos e netos.   

O cargo havia se tornado maldito. Tão efêmero e rotativo que não mais comportava prazos de carência e trégua para a avaliação inicial de desempenho.

A experiência de Nelson Teich, o breve, que mal completou um mês lunar, foi marcante.

Não teve  direito a lua de mel com o poder.

Não lhes foi  reservado tempo de esquentar a poltrona. Não posou para a foto oficial que ilustra qualquer currículo.

A fatídica reunião pornofônica do primeiríssimo escalão do governo, deixou a vasta cabeleira mais desgrenhada e a certeza que Brasília  não era praia para sua carioquice.

O primeiro beco, apontado pelo colega da Educassão, foi o caminho para o guichê do bilhete azul.

Como numa prova de revezamento onde o último a receber a baqueta é quem deve cruzar a marca final, não se pode dizer que o Ministro Marcelo Queiroga tenha despertado sentimentos positivos.

A expectativa era que a mudança estava sendo feita para que nada mudasse.

Já no curto período de adaptação aos labirintos do poder, ainda sem conseguir equilibrar  a máscara no narigão, apresentou seu plano, de pauta única: vacinar o maior número de pessoas, no mais curto espaço de tempo.

Quando afirmou que muito em breve estaríamos injetando doses em um milhão de ombros por dia, houve quem duvidasse.

O que pensam estes mesmos céticos, quando o objetivo, multiplicado por três, é ultrapassado?

Alguém imaginava que em seis meses, estaria havendo briga para se incluir na fila, adolescentes e crianças que nunca estiveram na vontade inicial de alcançar a população adulta?

O gentio índio cariri sobreviveu a duas fogueiras da profana inquisição do senado e seguiu determinado, com o exército possível, fiel ao seu comandante, como sói esperar de todo combatente.

No topo do mundo, enquanto cumpre a didática quarentena para os vacinados e não imunes a todas as cepas, virou manchete em inglês.

Por ter reagido com os mesmos dedos aos que iniciaram a guerrilha de gestos considerados por quem apresenta em suas telas luminosas, cenas de corar a freira mais experiente da clausura, obscenos.

Não se esquece raizes sertanejas de Cajazeiras só porque se está passando uma chuvinha ao abrigo de um pé de Big Apple.

Quem mostra o que quer, vê o que não quer.

Mesmo que seja a tigresa do menestrel.

Sempre há uma esperança e uma razão pra cantar.

É proibido proibir. E preciso, perdoar.

***

Ouça: 

Caetano Veloso – é proibido proibir (LEGENDADO)

 

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Bransky – Mural-grafite em Londres – Menina com balão (2002)

 

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