22 de junho de 2024
ComportamentoMemória

A BELA DO ENGENHO

Engenho Manual que Faz Caldo de Cana (1822) – 
Jean-Baptiste Debret – 
Museus Castro Maya, Rio de Janeiro


Fazendas e engenhos  guardam mistérios e estórias que o passar dos tempos, teima em lembrar.

Basta um neto de boa memória, e indiscrição, para manter vivos os capítulos  mais felizes do livro de lembranças dos antepassados.

O filho do filho conta,  que a caminho da cidade, onde todo santo dia, tinha encontro marcado com um dedo de prosa e uma dose de Bacardi, o avô, dono daquelas terras todas, para na porteira.

Um casal faz o obséquio de ajudar na saída do fusca. Logo, uma conversa é entabulada.

Jovens, sem filhos, em busca  do primeiro emprego, tinham acabado de saber que a vaga que procuravam havia sido preenchida.

Compadecido com a situação, e atraído pela beleza meio selvagem da senhora-moça, o futuro patrão pede para que voltem no dia seguinte.

Determinou ao capataz as mudanças necessárias, contanto que a melhor casa da vila estivesse liberada para os novos moradores.

Ao colaborador contratado há tão pouco tempo, o tratamento dispensado chamava a atenção.

Nunca antes naquela propriedade, alguém havia merecido tantas regalias.

Não demorou muito, e o homem de extrema confiança do patrão já era outro.

Os anos passaram rápido,  e todos continuavam satisfeitos com a vida mansa que levavam sem reclamações.

A não ser quando o marido da morena mais admirada do engenho se excedia um pouco mais nas provas da cachaça que ajudava a produzir, e resignado, desabafava:

No Direito, no Respeito e na Sinceridade, o doutor me passou um belo par de chifres.

Uma família brasileira no Rio de Janeiro (1830) – Jean-Baptiste Debret – Itaú Cultural, São Paulo

(Publicação original em 25/05/2019)

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