965E3941-B38A-4FD3-9DA0-3DDE271EFA84O panorama visto de uma cama de hospital é deslumbrante.

A vida, lá fora, com todas as suas cores, cheiros e sabores.

É lugar de muito pensar.

Tempo de relembrar tudo que ficou pra trás. Até o que aconteceu há quase um ano,  motivação para um  post  na fase de testes deste Território Livre.

ENSAIO GERAL

Quem não gostaria de  saber como será a visita da velha senhora?

Tive este privilégio, escapei  por pouco e conto como foi a estória toda.

De repente, caído no meio da sala.

Branco, como nunca fui.

A colaboradora doméstica com mais de vinte anos de convivência,  já encomendava  minha alma.

A consorte, médica, entregou o jogo nos minutos finais, aos 66 anos do segundo tempo, sem ao menos tentar a boca a boca salvadora.

E eu fiquei sem seu último beijo.

Os anjos de luz não faltaram. Foram rápidos. Vieram nas asas da ambulância, comandados pelo arcanjo Ariano.

Depois de virado, puncionado, tomografado e revirado, saí do nosocômio com um daqueles diagnósticos tipo virose e uma certeza: o ensaio geral foi perfeito.

Nada a modificar.

Agora é esperar que o Grande Teatro da Vida esteja muito movimentado e só abra pauta para mim daqui a uns bons vinte e tantos anos.

Até lá, vou tentar não esquecer o curto discurso já pronto para a estréia:

  • Merda!

P.S

Ficarei ausente deste convívio diário por um tempo. Suficiente para convencer a velha senhorapara mais uma vez a adiar o inevitável encontro

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  1. Geraldo Batista de Araújo
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    Dr. Domício, é muito cedo para fazer a última viagem. Esse seu cliente para todos os meus achaques ainda precisa dos seus bons serviços médicos por muito tempo ainda. Tenho idade para ser seu pai, no próximo dia 19 completarei 86 anos béns vividos. Não tenha o desrespeito e o atrevimento de cortar a fila. Inté ameã, como se diz em Acari.

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