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Em país de memória curta e volátil, as perdas irreparáveis são esquecidas antes da missa de sétimo dia.

Embora substituídos nas funções e docências, os exemplos de grandes mestres e empreendedores permanecem e são repassados às novas gerações.

No mundo globalizado, dominado pelos grandes negócios em relações transnacionais, ainda tem lugar para um brasileiro que deixou seu pensamento impresso em doze livros e sua marca de administrador do bem público, em empresas que nasceram com sua marca.

Soteropolitano, filho de espanhóis donos de padaria em bairro proletário, José Walter Bautista Vidal aos dez anos, mudou-se para a Galícia. Cinco anos depois, era aluno-prodígio da Universidade de Santiago de Compostela.

Só veio a colar grau de engenheiro civil com o retorno da família à Bahia, no Curso Politécnico da Federal.

A régua e o compasso que recebeu da boa terra, usou para encontrar o caminho da acidentada trilha que o levaria ao palco da guerra pelo desenvolvimento e soberania nacionais.

Entrou na linha de tiro com as armas da física nuclear que trouxe da Universidade de Stanford.

Associou a teoria acadêmica ao mundo real das empresas que necessitavam de recursos governamentais, sem preconceitos contra a participação estrangeira, desde que não houvesse comprometimento  dos interesses nacionais.

Como secretário estadual de Ciência e Tecnologia da Bahia, teve participação protagonista na implantação do Polo Petroquímico de Camaçari.

Secretário de Tecnologia do Ministério da Indústria e Comércio, mostrou ao ministro Severo Gomes a saída para a crise do petróleo dos anos 70, pela produção de automóveis movido a outros combustíveis não derivados do petróleo.

O programa nacional do álcool  tem o seu DNA.

Foi atropelado pela Elba de Collor que sepultou o projeto nióbio antes da primeira safra.

Retirado da vida universitária, continuou ensinando. Em livros, nos artigos publicados na Folha de São Paulo, palestras em seminários e nas consultorias para institutos de pesquisas econômicas.

Sofreu retaliações dos poderosos de plantão, pela defesa intransigente da indústria e do parque tecnológico nacionais.

Ao mais robusto dos desafetos, Delfim Neto, atribuía a demissão de alguns empregos.

Seu partido era a nação brasileira.

No final dos anos 80, comungou com as ideias do Prof. Enéas Carneiro na fundação do Prona, partido de vida tão efêmera quanto o tempo a ele destinado no horário eleitoral.

Sua luta em defesa do patrimônio do país se intensificou na oposição às privatizações e ao neoliberalismo do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Fez a cabeça de Leonel Brizola e o capítulo sobre energia do seu programa de governo.

Tentou, sem êxito, convencer Hugo Chávez a buscar uma nova matriz energética para a Venezuela.

Pessoas cujas ideias inovadoras só são reconhecidas depois que partem, nunca deixam de ser lembradas.

Muitas vezes, sem motivo aparente.

P. S.

Uma das filhas de Bautista Vidal mora em Natal.

Alyne é auditora fiscal.

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