6F421BC5-7DF2-49ED-B09E-818AFE33B504O Dia de Ação de Graças é tradição de mais de quatro séculos nos Estados Unidos.

Sem conotação religiosa, o feriado nacional virou data mais celebrada que o Natal.

Cheia de simbolismos, originou-se em Massachussets quando cento e poucos peregrinos fugidos de perseguição religiosa na Europa, resolveram comemorar a boa safra com  uma festa para  os nativos em agradecimento aos céus e a eles, por tudo que haviam colhido e  aprendido sobre  plantações e caça.

É a data que mais reúne as famílias, no costume de  juntar parentes espalhadas pelo país. Aeroportos superlotados e estradas congestionadas, não pelos cancelamentos frequentes de vôos e vias bloqueadas pelo mau tempo invernal da época natalina.

Os perus que morrem nas vésperas dos nossos natais, na América, são abatidos de ante-véspera, no Thanksgiving Day.

Há o costume da troca de presentes e o comércio tem a melhor oportunidade  de vendas do ano.

Sempre na quarta quinta-feira de novembro, faz do dia seguinte o que seria para brasileiros outra jaboticaba (ponto facultativo), uma data nula para negócios.

Mestres em fazer de um limão, uma lemonade, a sexta-feira morta passou a ser reservada para as grandes queimas de estoque. De tudo que não foi vendido na altíssima estação mercantil.

Liquidação pra valer com  longas filas mesmo antes da abertura das lojas.

Shoppings fervilhando de gente comprando tudo que não precisa, somente pelos preços realmente bem mais  baixos.

1E75440B-10E8-47C6-B1B1-4F60ED709742Muito diferente da macaquice.

No Brasil, sem qualquer vestígio cultural, foi importada somente a parte da liquidação.  Um nome apelativo, forte e politicamente incorreto.

E  a sexta-feira negra pegou. Só  e somente porque foi traduzida.

Ou alguém consegue imaginar o bombardeio de anúncios da TV falados, sem o estrangeirismo,  na última filha do latim e flor do Lácio, como queria o ex-deputado comunista Aldo Rebelo?

Virou semana, depois, mês.  Não demora, teremos o ano todo retinto, de preços ditos  baixos.

No universo da procura e da oferta, a ordem natural dos negócios foi invertida.

Ninguém consegue explicar como  o dinheiro, num passe de mágica (ou apelo publicitário) passa a valer mais, se não houve ainda sobras de produtos  barateados por terem sido rejeitados, nem  riscos de prejuízos.

A não ser que o país tropical tenha adotado a mão inglesa, viaje pela contramão e se regozije com a chegada da estiagem veranil. E os nordestinos, festejem a seca.

Liquida-se tudo, incluídos os lançamentos das novidades  e depois voltam os preços normais ou aumentados para as vendas de Natal.

Só é enganado quem quer. E gosta.

A sabedoria popular há muito matou a charada.

Na fraude negra, tudo pela metade do dobro.

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