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Um pouco de história não faz mal a ninguém: – Hoje completa 64 anos que terminou – de forma melancólica – a passagem de um norte-rio-grandense pela Presidência da República, num conjunto de episódios batizado de “novembrada” (alusão a “dezembrada” implementada pelo Exército na Guerra do Paraguai).

Licenciado da presidência, por motivo de doença, Café Filho passou o Governo a Carlos Luz, presidente da Câmara (segundo na linha de sucessão). Luz estava na conspiração para evitar a pose de Juscelino Kubischek, presidente eleito um mês antes pelos partidos legados por Getúlio Vargas, PSD e PTB em aliança com o Partido Comunista Brasileiro.

O grupo anti-Juscelino era grande e poderoso. Havia elementos na Aeronáutica, parte menor mas vociferante do Exército, a UDN e seus satélites e anexos, a grande imprensa e o que se poderia rotular de “forças conservadoras”. JK era tido e havido como expressão do grupo getulista, visto sua base partidária e o Vice Jango muito mais.
ERRO DE CÁLCULO
Carlos Luz calculou mal seu próprio poder naqueles dias conturbados. Para facilitar o golpe contra a posse de JK mandou chamar o Ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott (na foto com Café Filho, tendo ao fundo o brigadeiro Eduardo Gomes, líder da UDN) considerado adepto da legalidade constitucional e portanto pró-Juscelino e avisou que ele estava demitido, devendo entregar o cargo ao novo indicado, General (reformado) Alvaro Fiúza de Castro. Marcou a transmissão de cargo para o dia seguinte mas antes quis humilhar Lott e o deixou esperando na ante sala do Palácio do Catete por duas horas.
 Cada vez que a porta do gabinete presidencial abria Lott ouvia muitas risadas e barulho de copos de whisky circulando.
 O Marechal Odilo Denys, liderança respeitada no Exército, às duas da madrugada bateu na porta de Lott, eram vizinhos, e convenceu-o a depor o Presidente Carlos Luz porque ele e seu grupo pretendiam impedir por alguma manobra legalista a posse do Presidente eleito JK. Carlos Lacerda bradava na imprensa que Juscelino era legado de Getúlio e não poderia governar e a grande imprensa ecoava Lacerda, agitando e tumultuando o ambiente político.
SAÍDA PARA O  MAR
Nas primeiras horas do dia 11 de novembro Lott cerca o Palácio do Catete e Carlos Luz foge para o cruzador TAMANDARÉ, sendo a Marinha força ao lado dos conspiradores anti-Juscelino, Lott chama o Presidente do Senado, Nereu Ramos, 3º na linha de sucessão e lhe dá posse imediatamente. Luz e seu grupo, com Lacerda e lideranças da UDN todos embarcam no TAMANDARÉ rumo a Santos, esperando apoio do Governador Jânio Quadros, que sequer os atende. No dia seguinte o golpe estava consumado.
 O contra golpe de Lott havia triunfado e Nereu Ramos entrega a 15 de janeiro de 1956 a Presidência a Juscelino. Lott teve menos trabalho para depor o Presidente do que um soldado teria para trocar o pneu de um caminhão do Exército.
CAFÉ FRIO
O legítimo sucessor da Vargas, o norte-rio-grandense Café Filho, 14 meses depois de assumir a Presidência da República, continuou seu tratamento – “repouso absoluto” – para um infarto, no seu modesto apartamento em Copacabana, sem ter nenhuma influência no Governo, sem ser ouvido nem se pronunciar sobre o que acontecia.
Encerrado o seu mandato, Café cuidou de arranjar um emprego para se manter, atuando como corretor de imóveis no Rio de Janeiro. Mas ganhou um emprego público do Governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda: Ministro do Tribunal de Contas do Rio. – Nunca mais atuou em política. Deixou um  exemplo de honestidade pessoal na política brasileira depois de um atribulado governo de, apenas,  um ano e dois meses.

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