3 de maio de 2024
Memória

DUBLÊ DE TARZAN

Tarzan e Jane (1981) – Ziraldo Alves Pinto


O
Curso para Autodidatas Aprendizes de Cronistas do Cotidiano ainda não voltou ao velho normal, mesmo com o amansamento da pandemia.

A falta de preceptoria faz exercício diário, uma peregrinação pelos labirintos das redes sociais, em busca de assuntos aleatórios que tenham, pelo menos, duas características essenciais.

Ser do interesse do rabiscador, e que possa chamar e prender a atenção do respeitável público leitor, cativo, e o ainda por conquistar.

A faina fica bem mais suave quando algum amigo sugere  estória que não deve ficar em lockdown na memória, mesmo se já contada há três anos

Depois do inesquecível Cine Éden, o Cinema Paradiso do Agreste, o conterrâneo saudoso dos idos que nunca mais terão reprise, lembra de outro episódio que comprova a originalidade do seu proprietário e personagem principal.

Operando com velhas máquinas de projeção, convivendo com frequentes atrasos no recebimentos dos filmes, e obrigado a muitas repetições, o megaempresário do circuito curimataú-bujari apostou todas as fichas na exibição do mais  recente filme de Tarzan.

O filho das selvas era  certeza  de sucesso e casa cheia.

Com muita antecedência, cartazes criavam a expectativa para a fita com o mais fortão de todos os atores que já haviam representado o papel.

Mas, num  ponto fraco não tinha  quem desse jeito.

Era estrutural, a precária qualidade do som (ou do barulho) do politeama.

Como ninguém ligava muito para os diálogos em inglês, as legendas garantiam a compreensão do enredo.

E as emoções.

Na estreia,  o grito do herói ao pular de um cipó para outro, fraco e distorcido,  foi recebido com vaias, assobios e impropérios.

Aquele detalhe era a maior  ameaça à estratégia de recuperação da bilheteria.

Nada que uma solução  com a grife Paulo Bezerra não resolvesse.

Um rapaz de voz possante, por trás da tela, na hora precisa, ao vivo e em preto e branco, resolveu o problema acústico, com o grito do urro mais conhecido da sétima arte.

Sob merecidos e  entusiasmados aplausos.

 

Superman no banheiro (1981) – Ziraldo Alves Pinto


Uma série de cartuns criados por Ziraldo na década de 60 foi reunida no livro Os Zerois,  em 2012, pela Editora Globo Livros Graphics

***

(Publicação original em 06/06/2019)

2 thoughts on “DUBLÊ DE TARZAN

  • Antônio, filho de Vaca Braba era quem fazia o grito de Tarzan

    Resposta
    • Domicio Arruda

      Dos Povos Originários da Barra do Cunhaú

      Resposta

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