Lançamento da campanha do Deputado Baleia Rossi (PMDB-SP) para presidente da Câmara dos Deputados, apoiado pelo atual presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ). Sérgio Lima/Poder360 06.01.2021

Em entrevista a Marcelo Moraes, do Estadão, o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM)  voltou a falar sobre política, seu destino político , sem esquecer ainda as estocadas ao desafeto ACM Neto.

Depois de deixar a presidência da Câmara dos Deputados no mês passado, sem conseguir eleger seu sucessor, Rodrigo Maia(DEM-RJ) vai reorganizando sua estratégia política. Abandonado nessa disputa pelo presidente nacional do DEM, ACM Neto, Maia vai deixar o partido.

Ele disse ao Estadão que deve se filiar ao MDB ou a um novo partido de Centro, embora tenha dúvidas sobre a viabilidade dessa segunda alternativa.

“O MDB é um partido com quadros com quem eu tenho uma relação histórica muito importante. E me sentiria confortável”, afirma o deputado.

Paralelamente, Maia segue à frente da articulação de uma candidatura de centro contra Bolsonaro. Ele defende que os quatro principais nomes do grupo – João Doria (PSDB), Luciano Huck (sem partido), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Eduardo Leite (PSDB) – passem o ano debatendo e apresentando suas ideias, mas que isso produza uma candidatura única até o final de 2021.

“Nessa eleição, mais importante do que nas outras, os projetos pessoais têm de ser engavetados.

Todos têm o direito de colocar o seu projeto até um determinado momento.

A partir daí, é óbvio que tem de se consolidar uma candidatura.”

Seu partido, o DEM, sinalizou um alinhamento ao Planalto pela Presidência da Câmara. Agora, o presidente do partido, ACM Neto, fala que Mandetta pode ser candidato do DEM em 2022. É possível ou não contar com o DEM nessa articulação?

O senador Antonio Carlos Magalhães, diferente do neto dele, dizia que deputado a gente não empresta. O Neto resolveu emprestar os deputado dele, entregar a base dele para o bolsonarismo. Eu acho muito difícil acreditar nele, por mais que, de forma desesperada, agora ele esteja tentando criar no Mandetta um candidato. Não pelo Mandetta, que é um candidato forte e que nos estimula nesse processo político. Mas o Neto acabou entregando a base dele, por um acordo menor, ao bolsonarismo. E vai ser muito difícil tirar essa base da estrutura do governo e da estrutura da execução orçamentária, que garante a reeleição de deputados.

Qual seria sua tendência hoje? Houve também conversas com o PSL…

Hoje, estou nessas duas alternativas.

O PSL eu acho muito importante que venha para a nossa aliança, que saia de uma vez do bolsonarismo. Mas não posso ir para o PSL porque nem eu posso ir para lá com os bolsonaristas ainda lá dentro, nem eles vão me aceitar. Mas acho que eles têm um timing diferente do meu e não vão tomar nenhuma decisão sobre isso nas próximas quatro semanas.

E eu não posso ficar sem partido mais trinta dias. Não que eu faça a filiação formal, por causa da questão da fidelidade partidária. Mas eu preciso anunciar, em mais algumas semanas, o meu partido. Para que eu possa voltar ao plenário da Câmara para participar de discussões como, por exemplo, a da PEC emergencial. Eu quero fazer representando algum partido. Então, não posso ficar seis meses sem, pelo menos, uma oficialização de um caminho. E hoje estou para essas duas opções.

DO TL

Além do MDB histórico como o ex-governador Moreira Franco, Maia tem excelente relação com o presidente da legenda, Baleia Rossi – seu candidato (derrotado) à presidência da Câmara.

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